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Notícias de Cannes

Luiz Carlos Merten

22 de março de 2013 | 08h35

Cannes acaba de divulgar o cartaz de sua 66.ª edição. Se vocês entrarem no site oficial, www.festival-cannes.fr, vão encontrar a imagem do casal que, segundo o comunicado de imprensa, assinado por Christine Aymé, sintetiza o espírito do cinema – Paul Newman e Joanne Woodward, em Amor Daquela Espécie. A New Kind of Love, de Melville Shavelson, de 1963. Paul e Joanne ficaram casados uma eternidade – pelos padrões de Hollywood – até a morte dele. Conheceram o sucesso, cada um ganhou seu Oscar e ele, virando diretor, fez filmes que foram sempre homenagens ao grande talento da mulher.  Rachel Rachel, O Preço da Solidão, que inclui, como assinala Jean Tulard no Dicionário de Cinema, uma crítica social aguda. Paul e Joanne amargaram a dor que imagino seja a maior de todas – a morte de um filho. Estou aqui viajando nas lembranças dos filmes dos dois, e nos grandes filmes de Paul Newman fez com Martinm Ritt, Richard Brooks, Otto Preminger e George Roy Hill, para citar apenas alguns dos diretores com quem trabalhou. Um casal de cinema, um casal que sintetiza o cinema. Penso também no diretor Shavelson, de uma mediocridade aflitiva e a quem se devem filmes como Os Seus, os Meus, os Nossos (a versão dos anos 1960) e À Sombra de Um Gigante, que hoje deve parecer intolerável – a biografia de um herói da guerra árabe/israelense, totalmente pró-Israel e com Kirk Douglas (como Mickey Marcus) levando para a cama duas combatentes da liberdade (é o papel delas), Angie Dickinson e Senta Berger. Os filmes eram ruins, mas a imagem no cartaz de Cannes, 2013, é linda e eu já estou nos cascos para ver o filme de abertura, O Grande Gatsby, com Leonardo DiCaprio, cortesia de Baz Luhrmann, que volta à Croisette após Moulin Rouge, pelo qual tenho a paixão que vocês sabem. O livro de Scott Fitzgerald é maravilhoso, mas foi mal filmado por Jack Clayton no começo dos anos 1960, com Mia Farrow miscast no papel de Daisy e o próprio Robert Redford, apesar de todo o seu carisma, mais apático do que enigmático no papel título, a tal ponto que eu acho que ‘Leo’  vai ter de rebolar para me fazer esquecer o melhor Gatsby, que foi Alan Ladd, na versão de Elliott Nugent, de 1949. Enfim, já estamos em contagem regressiva para o maior festival do mundo, que este ano rola de 15 a 26 de maio, após o Recife.

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