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Normal Heart?

Luiz Carlos Merten

28 Dezembro 2014 | 22h53

É muito estranho, mas nos últimos dias tenho visto na TV Paga partes de um filme chamado The Normal Heart. Não consegui ver o filme inteiro, e nunca o começo. Um  pedaço aqui, outro ali. Impressionam-me. Descobri, pesquisando na revista da Net, que o diretor é Ryan Murphy – who the fuck…? The Normal Heart situa-se no momento da erupção da aids e mostra um ativista que luta por políticas públicas de saúde, vencendo o preconceito contra o que, na época, era chamado de ‘câncer gay’. Lamento informar. mas na época eu era redator de Mundo em Zero Hora e era assim que tratávamos a síndrome. Sua principal manifestação era o sarcoma de Kopsi e, por isso, criou-se essa fantasia do câncer gay. Mark Ruffalo é o ativista e é um ator não apenas talentoso, mas corajoso. Vendo Mark Ruffalo em cenas de pegação lembrei-me de Peter Finch, que ganhou postumamente o Oscar por Domingo Maldito, de John Schesinger. Peter também, beijava Murray Head na boca e, na época, 1971, isso era motivo de escândalo. Sua justificativa foi contundente – ‘O que fiz, foi pela Inglaterra.” Julia Roberts fax uma médica presa à cadeira de rodas, mas batalhadora. Tenho, preciso admitir, imenso carinho por Julia. Ela tem a fama de arrogante, de hostilizar a imprensa, mas nas duas vezes que a entrevistei foi ótima. É verdade que lhe disse que amava O Sorriso de Mona Lisa, de Mike Newell, devo ser o único, mas Julia também tem um carinho especial pelo filme, e isso pode ter-me rendido pontos. O que mais me impressionou em The Normal Heart  é que tem um gay loirinho que vira presidente de uma associaço em Nova York. Numa cena, ele vai parar debaixo do chuveiro com Ruffalo, que confessa que agora está casado e…. Não! O carinha é ninguém menos que Taylor Kitsch, o John Carter de Andrew Stanton, na adaptação do livro de Edgar Rice Burroughs. Entendam como quiserem, mas já que nessa encarnação vim, digamos, prejudicado – um defeito físico nunca é fácil, convenhamos -, na próxima, se pudesse escolher, seria Taylor Kitch, nem que fosse para participar das surubas de Selvagens, de Oliver Stone. Contei isso ao próprio Stone, numa entrevista por telefone, e ele morreu de rir, me explicando que seguiu uma velha lição de Hollywood, só escolhendo gente bonita (muito bonita!) para o elenco do filme – Taylor Kitsch, Aaron Taylor-Johnson, Blake Lively. Não sei se algum de vocês viu The Normal Heart, mas gostaria que o post pelo menos deixasse meus leitores com vontade de ver. Pode até ser que o filme, como um todo, não me convença, no dia que o vir, mas as partes têm me parecido boas demais. E Mark Ruffalo… Ele é muito bom demais – aguardem por Foxcatcher, de Bennett Miller. Tenho de agradecer s Fernando Meirelles pelas duas vezes em que o entrevistei, no set de Ensaio Sobre a Cegueira, aqui mesmo em São Paulo, e, depois, na junket do filme.