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Noites de circo

Luiz Carlos Merten

28 de fevereiro de 2018 | 09h46

Estava no grupo que Cacá Diegues e Renata Magalhães chamaram ontem à noite para ver, na Sala Imax do Shopping Bourbon, o Grande Circo Místico. Não sei nem se posso estar fazendo o post. Vai ser breve. Tinha uma expectativa enorme por esse filme que foi ficando mítico. Cacá, atraído pelo poema do simbolista Jorge de Lima, demorou pelo menos quatro anos para concluir o projeto. Não importam aqui os problemas que travaram a produção, mas o resultado. Um filme impregnado de realismo mágico, com Jesuíta Barbosa como o meneur du jeu, Celavi, e o grande circo metaforiza tudo – o Brasil, o mundo, o cinema. Glorioso, o Cometa Halley descreve sua curva luminosa no espaço. O filme possui elementos de Lola Montès, claro, e muito do cinema de Cacá. Os Herdeiros, Quando o Carnaval Chegar, Bye Bye Brasil. o apogeu e decadência do circo incluem a era do rádio e o advento da TV. Nessa era em que tudo é incorreto, achei emocionante rever os bichos – leões, camelos, elefantes. Ecos de Federico Fellini, Intervista. Os palhaços, o mágico, os acrobatas. Ainda estou racionalizando o que vi. Sensorialmente, foi forte. Lindo. Fotografia de Fernando Hadba e, vejam só, ele também é o fotógrafo de Motorrad, de Vicente Amorim, que tinha visto pela manhã. Dois filmes tão diversos, o mesmo esplendor da imagem. E a do Circo, na telona Imax, ficou uma loucura, mesmo que o filme não tenha sido feito com a tecnologia e, portanto, rigorosamente, não seja uma experiência Imax.

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