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No fim do mundo com Trapero

Luiz Carlos Merten

28 de julho de 2014 | 09h30

Pablo Trapero também está sendo homenageado no Festival de Cinema Latino-americano. Está dando uma canseira na organização. Deveria ter chegado na sexta, no sábado, ontem.. A expectativa é de que chegue hoje, para a homenagem de amanhã. Deveria vir com a mulher, a produtora que ele transformou em atriz, Martina Gusman, mas ela está presa em Buenos Aires por um cronograma de gravações para TV. Trapero presidiu o júri da mostra Um Certain Regard em Cannes, em maio. Nem me lembro mais o que premiou – ah, sim, aquele filme húngaro dos cachorros que tomam o poder em Budapeste, White Dog, bem estiloso -, só sei que seu júri ignorou o novo longa do também argentino Lisandro Alonso, que ganhou o prêmio da crítica, Jauja.  Trapero, como todos os homenageados (Sílvio Tendler, Leandra Leal), está tendo sua obra revisitada. Fui ver ontem um filme dele que não conhecia. Nascido e Criado, de 2006. Me pareceu um de seus melhores – o melhor? Guillermo Pfening provoca um acidente. Acha que matou a família, a mulher e a filha. Foge do hospital e vai viver nos confins da Argentina, numa região inóspita, no sul gelado. Carrega no corpo as marcas da tragédia. É, essencialmente, um filme masculino. Bom, bom, bom. E surpresa – Natalia Smirnoff, de O Chaveiro, tem crédito de assistente de direção. A retrospectiva de Trapero prossegue hoje com um filme não tão bom, Elefante Branco. Mas tem, também no Cinesesc, outro filme argentino impactante. Refugiado, de Diego Lerman, passou na Quinzena dos Realizadores, em Cannes. Violência doméstica. Uma mulher foge de casa com o filho paras escapar do marido brutal. Realismo social na vertente dos irmãos Dardenne. Bem bom.

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