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Não há não há…

Luiz Carlos Merten

30 de junho de 2015 | 09h57

Nem tive tempo de postar que assisti, no fim de semana, ao belo sarau do Grupo Galpão no Sesc Santana. De Tempo Somos, direção de Lydia Del Picchia e Simone Ordones,  propõe uma antologia de poesias, textos, canções. São fragmentos de Beaudelaire – ‘Embriaga-me de vinho, de poesia” – e de Nelson Rodrigues, Jack Kerouac, Anton Chekhov, Eduardo Galeano, Calderón de La Barca, Paulo Leminski e José Saramago. E as canções – Lua, A Viagem, Serra da Boa Esperança. Por essa última, de Lamartine Babo, tenho verdadeira paixão. Serra da Boa Esperança traz-me de volta Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes, que o tempo passa e segue sendo meu filme brasileiro favorito desde a retomada. A esse somo Praia do Futuro, de Karim Ainouz, e Casa Grande, de Fellipe Barbosa, que formam o ‘meu’ triunvirato de grandes filmes brasileiros dos últimos anos (e décadas). Todos esses filmes, por mais ricos que sejam enquanto ‘imagem’, possuem textos que poderiam estar em De Tempo Somos. O que mais me encantou foi a mineiridade do espetáculo. Regional como é, tocou o universal. Transportei-me à minha infância no grupo escolar, em Porto Alegre, quando cantava no coro do colégio – ‘Não há não há/noite mais azul, azul/do que a noite do Rio Grande do Sul.’ Madeleines, e nostalgias, à parte, lá vou eu para o Schwarzenegger. O Exterminador do Futuro…