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Nada como o Show da Virada para revelar o Brasil

Luiz Carlos Merten

02 Janeiro 2019 | 10h19

O filho do presidente, nem lembro qual dos ‘garotos’, disse que só era preciso um cabo e um soldado para fechar o Supremo. Ontem, no jornal, assisti na TV à parte da posse em que uma banda militar tocava, no Congresso, o Hino Nacional. ‘Ouviram do Ipiranga…’ (Tive de enterrar ontem, no Caderno 2, a Etty Fraser e lembrei-me de histórias que seu biógrafo na Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial – meu querido Vilmar Ledesma -, me contou sobre sua humanidade e bom humor. Etty participou de montagens históricas no teatro, O Rei da Vela e Pequenos Burgueses; comandou o fogão num programa de culinária que também fez história na televisão, À Moda da Casa; e ainda fez filmes importantes, coadjuvante em São Paulo S.A., e uma das protagonistas, a mãe repressora, de Durval Discos. Descansa em paz, Etty.) De volta ao Congresso. Lembram-se da operação resgate travestida de equipe de filmagem em Argo? Fiquei delirando que bastaria a banda militar para fechar o Congresso, se fosse o caso. O Mito assumiu, vejo, na capa da concorrência, que com menor expectativa de um bom governo do que qualquer outro presidente eleito desde o fim do regime militar. Enfim, escolhas feitas não se choram. Acatam-se, cumprem-se. E seja o que Deus? a sorte? nos reservar. Estou aqui tergiversando, mas na segunda à noite, em casa, passando sozinho o réveillon, entre uma taça e outra de vinho e o Show da Virada na Globo e a Virada do show em Salvador, pela Band, embora estivesse zapeando, às vezes tinha a impressão de que o botão enguiçara. Eram as mesmas pessoas cantando, as mesmas músicas – mas com roupas diferentes! Ah, então tá. Ali, naquela solidão inspirada, tive a revelação. Não, Jesus não entrou pela porta para ficar comigo, mas o Diabo, segundo a moral vigente, estava bem animado na telinha. O problema do Brasil não é a saúva nem a corrupção, mas o sexo. Todo mundo quer f… e, pelo visto, não está podendo. De Wesley Safadão e Luan Santana fazendo tremer o quarto às Maiaras, a magra jogando a pélvis na cara do público e a ‘fofa’, o bumbum – ela devia, contratualmente, impedir que as câmeras a pegassem por trás; o ângulo nem a roupa favorecem -, essa gente não canta outra coisa. Quero dar, quero dar, quero dar. Vou comer, vou comer, vou comer. Quero gozar, vou te fazer gozar. Para permanecer numa metáfora de cinema, Cecil B. de Mille, que era um homem de direita em Hollywood, assumiu o controle do Brasil. Sua fórmula – a Bíblia + sexo. Assim como aos novos (super) Ministérios, vamos ter de nos adaptar aos novos tempos. O sexo reprimido está saindo pelos poros. Pecado na sacristia, mas igreja evangélica tem sacristia, ou é uma terminologia católica? O arremate foi a Ludmila (é com dois LLs?), que não existia no meu planeta. Nos bastidores, ela anunciou que estava louca para entrar no palco para tirar a roupa. A repórter pediu uma palinha e Ludmilla atacou de Cheguei. ‘Bagunçando a zorra toda/Quero mais é que se exploda’. Durante anos o Brasil foi uma idealização da esquerda, um País sonhado. Estamos em pleno choque com o Brasil real.