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Na TV paga, o tributo a Billy Wilder

Luiz Carlos Merten

22 de junho de 2019 | 12h55

Daqui a pouco, a partir das 15h40, tem um tributo do Tel. Cult a Billy Wilder, na TV Paga. Quatro filmes considerados clássicos do grande diretor, todos produzidos nos anos 1950 e em preto e branco. Confesso que já tive minha overdose de Quanto Mais Quente Melhor, Sabrina e Crepúsculo dos Deuses. Se tivesse de escolher um, seria Inferno 17, às 19h50, e seria menos por Wilder que pela circunstância de trazer o não menos grande diretor Otto Preminger numa participação como ator, fazendo o comandante alemão/nazista do campo de concentração em que William Holden vira suspeito, aos olhos dos demais prisioneiros, de ser colaboracionista. O que se comemora neste sábado é o nascimento do bebê Billy em Sucha, que, na época, pertencia ao império Áustro-Húngaro, em 22 de junho de 2006 – portanto, há 113 anos. Os filmes selecionados para o tributo, especialmente Quanto Mais Quente e Crepúsculo, estão entre os melhores que Wilder fez, mas eu preferiria (re)ver filmes que não passam tanto do diretor, obras de sua fase final, como A Vida Íntima de Sherlock Holmes, Avanti – Amantes à Italiana e Fedora, todos produzidos nos anos 1970 e, detalhe, em cores. Até onde me lembro, sempre fui leitor de Edgar Rice Burroughs – o que teria sido de mim sem a Coleção Terramarear?-,e também de Conan Doyle e Agatha Christie. Lembro-me da euforia que me produziu o Sherlock Holmes não conformista (como o define Jean Tulard) de Wilder. O grande detetive que passa o tempo inativo, tomando cocaína, seu envolvimento com a jovem Gabrielle e a descoberta de que ela é uma espiã alemã que tenta usá-lo para chegar aos segredos do submarino que os britânicos constroem em segredo, o retorno à cocaína. O tom – romance + suspense – homenageia o Alfred Hitchcock inglês dos anos 1930 e algumas imagens permanecem até hoje comigo. A velha paralítica na loja, os misteriosos monges no trem, os anões no cemitério,e a Rainha Vitória. E Fedora, a volta aos bastidores do cinema, a filha que substitui a mãe para manter intacto o mito da grande estrela. Cada um terá suas lembranças wilderianas, eu tenho as minhas. Mas o tributo, tal como está, vale. Ôxe, se vale.

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