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Na Toscana, com Diane Lane

Luiz Carlos Merten

21 de setembro de 2012 | 22h58

Revi ontem à noite, o que faço sempre com imenso prazer, ‘Sob o Sol da Toscana’. Bad movies we love. Não, não é um bad movie. Diane Lane leva o fora do marido que ela sustentava e o cara ainda ganha na Justiça metade dos bens da mulher. Ela se deprime, a amiga Sandra Oh a convence a viajar à Itália numa excursão de gays. Diane vai e, num impulso, compra essa casa caindo aos pedaços na Toscana. A reforma da casa é a reforma da sua vida. Numa noite de tempestade, ela se agarra com a santa. Pede que a casa abrigue um casamento, uma família. Tudo se cumpre, mas não é o casamento dela, a família dela. Só que a vida vem – sempre! Ela recomeça, reencontra o amor, em novas bases. A cereja do bolo é o personagem do velho que perdeu a mulher e deposita sempre flores num nicho para ela. Diane tenta estabelecer contato, o velho é duro na queda. Antipático. É interpretado por Mario Monicelli. Pergunto-me como a diretora Audrey Wells conseguiu convencê-lo a participar. Encontrei Monicelli duas vezes na vida, em Veneza. Amava seus filmes – era um príncipe da comédia italiana. O rei era Dino Risi. Mas Monicelli detestava jornalistas. O velho ranzinza do filme era ele. Seu gesto final no filme de Audrey Wells terminou sendo a mais bela homenagem que o cinema lhe prestou. Posso ser piegas, mas me emociono sempre quando o advogado diz a Diane que seu sonho, afinal de contas, se realizou. Ela olha e vê o casal de jovens e Sandra Oh com seu bebê. Faz aquela carinha de tristeza, meio que adormece e, como uma bela adormecida, é despertada por seu príncipe. Acho aquilo lindo. E Monicelli! Da próxima vez que estiver zapeando e o filme for começar, sei que não resistir. Vou ver de novo, de novo. Diane Lane! Linda mulher…

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