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Mulherzinhas (e seus cavalheiros)

Luiz Carlos Merten

26 de dezembro de 2019 | 11h00

Vários dias sem postar. Desde segunda, 23, quando comemoramos o aniversário da Doris, minha ex, que veio de Porto Alegre para passar o Natal com a Lúcia. Angel, a buldogue – minha neta -, não está bem e Lúcia simplesmente se recusou a viajar, deixando a cachorra no hospital. Bebi demais, comi demais, trabalhei demais, mas faz parte. Antes assim. Na segunda, houve uma cabine na Sony, que nos mostrou Adoráveis Mulheres, o longa escrito e dirigido por Freta Gerwig a partir do livro famoso de Louisa May Alcott, que acaba de ser reeditado no Brasil na Coleção Clássicos Zahar, como Mulherzinhas. Little Women, a história das quatro irmãs que vivem o rito de passagem enquanto o pai luta na guerra (a Civil dos EUA). Mulherzinhas é uma daquelas histórias que fazem parte do imaginário dos norte-americanos. Abre-se com uma citação da própria Louisa, dizendo que passou por tantas dificuldades que, por isso, escreve histórias com finais felizes. De cara, Jo, Saoirse Ronan, leva um conto ao editor, que faz alguns reparos, mas decide publicá-lo. o sonho dela é ser escritora e ele dita algumas regras, a título de conselhos – em tempo de guerra, as pessoas querem otimismo, finais felizes. Houve duas versões de Mulherzinhas no cinema mudo, mais quatro, incluindo a de Greta, no sonoro. As anteriores foram dirigidas por George Cukor (1933, com Katharine Hepburn e Joan Bennett), Mervyn LeRoy (1949, com June Allyson e Elizabeth Taylor) e Gillian Armstrong (1994, com Winopna Ryder e Trini Alvarado). Assisti às quatro sonoras e, com exceção da de LeRoy, cujo charme está no elenco, as demais são todas desigualmente atraentes. A de Cukor, como diz Leonard Maltin, proporciona endless pleasure – é um filme que se pode ver dezenas de vezes e sempre vai surpreender pela vivacidade da história e das atrizes, pelo brilho da direção. A de Gillian, é ainda Maltin quem diz – não tem uma nota falsa, mas os puristas reclamam do discurso feminista da mãe (Susan Sarandon), achando-o avançado demais para o espírito recatado da escritora. Mas Meryl Streep com certeza viu a versão de Gillian, porque capricha no sotaque, à maneira de Mary Wickes, que roubava suas cenas como Tia March. Gostei muito da versão de Greta e do seu elenco masculino – Timothée Chalamet, Louis Garrel. Gosto muito de Laura Dern (a mãe) e cada vez que a vejo penso nas caras e bocas, na boca retorcida de Veludo Azul, na sua fase David Lynch, que prosseguiu com Coração Selvagem. Laura foi adquirindo contenção com outros diretores – e com a maturidade como atriz. Está no Noah Baumbach, como a advogada de Scarlett Johansson que quer tirar o fígado de Adam Driver em História de Um Casamento, e é ótima como Marmee no filme de Greta que, coincidência ou não, é casada com… Baumbach! Laura é uma atriz da família.

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