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Mujica e a política do afeto

Luiz Carlos Merten

18 de janeiro de 2020 | 22h51

Almocei, neste sábado, na casa da Lúcia. Sempre que faço isso termino assistindo a algum lançamento da Netflix. Havia me programado para ver o Adam Sandler que valeu ao ator o prêmio do National Board of Review, mas Uncut Gems, dos irmãos Safdie, estreia na plataforma só no dia 31. Até hoje não me conformo que Adam não tenha sido premiado em Cannes por Embriagado de Amor. Terminei vendo o documentário de Emir Kusturica sobre Pepe Mujica, que havia perdido no Festival do Rio. Kusturica e a América Latina. Ele já biografou Maradona e, no jogador, como no político, o foco é o mesmo – A Supreme Life. Maradona, para Kusturica, é o maior jogador do mundo. E é um homem de convicções – de esquerda. Mujica começa agradecendo aos años de soledad. Ficar preso por mais de dez anos em quarteis e prisões militares durante a ditadura uruguaia fizeram dele um homem melhor. Levaram-no a refletir, fortaleceram seu ideário socialista. O que Mujica diz sobre os bancos é maravilhoso. Já que ambos acreditam na ética, gostaria de vê-lo dialogar sobre o assunto com Walter Salles. Mujica presidente do Uruguai. Atitudes, polêmicas. Em apenas 73 min, Kusturica dá conta de tudo, e algo mais – Mujica e a mulher, companheiros de militância, e de vida, por 60 anos, ou mais. O documentário político vira uma história de amor. Emocionei-me. Mujica e a política do afeto.

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