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Mostra OP (1)/Preservar é preciso

Luiz Carlos Merten

25 de junho de 2016 | 18h49

OURO PRETO – Cá estou, por conta do Cine OP. Cheguei na sexta, 24, vou embora no domingo, 26, e tive de insistir muito para postar, porque estava vivendo de novo a situação surreal de ter o acesso negado a meu blog. Escrevi fora e agora, felizmente, estou conseguindo anexar o texto. O Cine OP é a segunda perna do tripé de realizações anuais da Universo Produção. Começa com a Mostra de Tiradentes em janeiro, prossegue com a Mostra de Ouro Preto e encerra-se com a Mostra Cine BH, mais para o final do ano. Três recortes diferentes. A janela para os novos autores, para o restauro e a preservação e a mostra contemporânea, com foco no mercado. O Cine OP deste ano é o de número 11 e privilegia a preservação da memória audiovisual da TV brasileira. Tivemos mesas importantes para debater o assunto. Vieram especialistas da França, da Espanha e da Holanda, e a gerente do Cedoc da Globo, Rita Guedes, detalhou o que está sendo feito pela emissora para preservar seu patrimônio. Rita começou sua fala com o que não deixa de ter sido um institucional, quando a Globo, no Jornal Nacional, resgatou imagens do carnaval do 4º centenário do Rio, em 1965. Roberto Farias comandava a operação e enviou cinegrafistas para diversos cantos da cidade para documentar a festa. Filmado, esse material estava se deteriorando. Especialistas de fora do País disseram que não dava para salvar os registros, mas malucos daqui tomaram a peito a missão e conseguiram o impossível, a digitalização do que parecia perdido. O debate internacional do encontro de arquivos deixou claro que preservar é caro, que faltam profissionais, mas que apenas não a atividade é necessária como também é rentável. O INA, Instituto Nacional do Audiovisual, da França, tem uma dotação orçamentária de 130 milhões de euros anuais, ou teve em 2015. Multipliquem por quatro, para ver quanto dá. O INA faturou mais ainda no ano passado – 190 milhões (de euros). Para quem não trabalha especificamente com isso, o que importa é o resultado. A emoção de ver aquelas imagens resgatadas de foliões, mais de 50 anos atrás. Eu confesso que me emociono. Fico viajando. Quantas daquelas pessoas ainda estarão vivas? Onde estarão, como estarão? Outras questões preenchem meu imaginário. A questão do material bruto e do editorializado, a questão do poder e do dinheiro. Salvo o que está disponibilizado no You Tube, esse material tem dono e tem preço, o que me parece uma outra forma de versão ‘oficial’. Disponibilizado em termos. Uma arquivista na plateia mencionou – não importa a instituição – que o material no instituto dela é acessível para pessoas ‘gabaritadas’. E quem avaliza o gabarito? Na Globo, 7% da programação diária são preenchidos por material de arquivo – é um percentual alto. Tende a aumentar nessa época de Olimpíada. Fiquei fascinado. Na França, Benjamin Léréna mostrou que os picos de demanda do INA ligam-se a efemérides. Datas de aniversários, não necessariamente redondas, mortes. No portal do Estado, estou sempre produzindo material comemorativo. Me pedem galerias de fotos. Eu quero escrever. Fiz recentemente os 110 anos de nascimento de Billy Wilder e a pedido de Eliana Souza, pauteira do Caderno 2, uma lista dos 25 maiores filmes de todos os tempos. Fiz duas – os 25 que fizeram avançar a linguagem, os 25 do coração, que não são os mesmos (Rocco e Seus Irmãos, por exemplo, está na segunda lista). Na próxima semana, teremos os 90 anos de Mel Brooks. Adoro essa brincadeira, mas gosto de produzir texto. O tema do debate foi a preservação da memória audiovisual. Imagem em movimento, imagem e som. Confesso que sou freguês de carteirinha da Mostra de Tiradentes e da Cine BH. Creio mesmo que se trata de minha primeira Mostra OP. Estive aqui, anos atrás, num debate com Jotabê Medeiros, mas era outro evento (quero crer). Estou adorando.