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Mostra OP (03)/Extremos

Luiz Carlos Merten

26 de junho de 2016 | 01h14

OURO PRETO – Assisti agora à noite a um duplo da mostra Histórica, que resgata filmes importantes. Deixei de ver Eles não Usam Black-Tie, de Leon Hirszman, porque batia com o Vigilante Rodoviário, mas hoje – na verdade, ontem, porque já é domingo – fui ver A Próxima Vítima, de João Batista de Andrade, com o jovem Antônio Fagundes – cara…, o cara era bonito -, Mayara Magri e Gianfrancesco Guarnieri, seguido de Extremos do Prazer, de Carlos Reichenbach. Aproveito para dizer que me reconciliei com João Batista ouvindo sua fala na mesa sobre Imagens Vivas de Um Brasil Interditado. Confessei que tinha ficado p… com ele por causa daquele júri no Recife que não deu o grande prêmio para Luiz Rosemberg Filho, com o deslumbrante Guerra do Paraguay, e terminei arrancando a fórceps do João a confissão de que batalhou para que Rosemberg ganhasse, pelo menos, o prêmio especial. Digo sempre que o ‘meu’ filme do João é Wilsinho Galileia, que ele fez no Globo Repórter, e João me agradecia, mas também dizia que gostaria de me ver estender esse carinho (e admiração) para algum outro filme. Devo tê-lo feito feliz, porque realmente fiquei impactado com A Próxima Vítima, que vi ao lado de Sylvio Back, e ele também gostou. A montagem sincopada do começo me enervou, não sabia para onde o filme estava indo, mas logo a urgência de A Próxima Vítima me arrebatou e arrebentou. Cinema de intervenção, como define o autor. Fagundes faz um repórter de TV que investiga o assassinato de prostitutas no Brás, no quadro da primeira eleição direta para governador de São Paulo, ainda durante a ditadura. Concorriam Franco Montoro, que venceu, e Lula, e a militância do PT enchia a ruas de bandeiras vermelhas e faixas com o slogan ‘Se podemos trabalhar, podemos governar’. Estava ali nascendo um sonho, o filme capta o espírito da época e Othon Bastos excede como o policial reacionário e cínico que capta a mudança para a democracia, e troca de lado na cara dura. Realmente gostei, e o mesmo, infelizmente, não posso dizer do Carlão. Havia conversado bastante com sua viúva, Lygia, e até lhe disse que me alegra que, depois de tantos anos de divergência, eu tivesse gostado dos últimos filmes de seu marido e estava de bem com ele, quando morreu. Nunca me esqueço da dedicatória linda que Carlão me fez, no lançamento de seu livro na Coleção Aplauso. Escreveu que, acima de eventuais divergências, estaríamos sempre unidos na admiração pelo Scarface de Brian De Palma, um de seus filmes preferidos (e meu, também). Fiquei desconcertado com o Extremos do Prazer porque o filme me pareceu um exercício teórico e conceitual, OK, tudo se encaixa e faz sentido, as múltiplas citações e referências, mas, gente!, nunca vi filme mais mal-acabado e, principalmente, mal-interpretado. Quem eram aqueles atores e atrizes? Ou melhor, certamente não eram atores e atrizes, dizendo suas falas de qualquer jeito. Não quero ser ofensivo com ninguém e calo-me, mas o Extremos foi de lascar.

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