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Mostra, o imperdível Pari

Luiz Carlos Merten

25 de outubro de 2020 | 18h53

Minha biblioteca virtual está atulhada de filmes da Mostra. Com exceção de sexta, temos tido duas cabines diárias, todo dia, mais os links de filmes que as assessorias me enviam para fazer matérias. Em Berlim, torcia pelo Tsai Ming-liang, Dias, e pelo Hong Sangsoo, The Woman Who Ran. Quero muito ver o Lav Diaz, Genus Pan, premiado em Veneza. No ano passado, meu favorito na 43ª mostra foi um mexicano, o Arturo Ripstein, O Diabo entre as Pernas. Os aspectos mais sombrios da natureza humana – do que tenho visto, nada se compara a Pari, de Siamak Etemadi, um iraniano radicado na Grécia que dedica seu primeiro longa à mãe. Um casal de iranianos vai a Atenas para ver o filho. O garoto deveria estar cursando a universidade, mas sumiu. Abandonou o apartamento pago pelos pais, o curso, foi para as ruas. A mãe o procura na noite, entre grupos de anarquistas, prostitutas. Há mais de 30 anos vejo filmes iranianos, mas nunca vi um casal fazendo sexo como nesse filme. A mãe possui esse lado dark – o diabo entre as pernas, mas não é só a libido. A angústia que corroi a alma. Etamedi busca inspiração num grande poeta persa, Rumi. A saudade do amado. A coragem de se perder para se encontrar. Pari é interpretada por uma atriz belíssima, Melika Foroutan. Não quero entrar em detalhes porque volta e meia me acusam de dar spoilers. Vi o filme sem nada saber, e não sei até que ponto isso ajudou para o impacto que tive. Não quero ser desmancha-prazeres. Vejam. Depois de uma vida inteira vendo filmes, certos autores ainda me surpreendem. Esse Etemadi não é mole.

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