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Mostra de SP (13)/The Witch, para ‘adentrar’ o Dia das Bruxas

Luiz Carlos Merten

31 Outubro 2015 | 09h19

Não tenho conseguido ver os filmes da Mostra na faixa das 19 horas. Em geral tenho saído nesse horário do jornal, às vezes depois. Ontem, queria ter visto Bone Tomahawk, mas não deu. Hoje, passa num tal Auto Cine Chaparral, que eu imagino seja um drive-in, mas pode ser que me engane. Minha filha, Lúcia, foi para a praia. Meu amigo Dib está no México com Gabriel Villela, que pesquisa sobre o Dia dos Mortos para um próximo projeto. Contei ao Dib, por telefone, da espetacular sequência de abertura de 007 Contra Spectre, a celebração do Dia dos Mortos na praça central da Cidade do México. Abro um parêntese. O ano vai terminando, começo a pensar na lista dos melhores de 2015. A minha vai ter filmes do Peru, de Cuba, talvez da França, obras miúra, bem pequenas e experimentais do cinema brasileiro, mas vai ter também os filmes grandes, que considero grandes filmes, de Hollywood. O Clint, que amo, American Sniper, mas ele está sendo ameaçado pelo operístico Mad Max – Estrada da Fúria e, agora, por Spectre. P… filme. E o que é a cena da Léa Seydoux avançando em direção a Daniel Craig na cena do restaurante no trem. Ela usa um vestido de cetim que realça as formas e certamente está sem calcinha. Parece uma sereia. Daniel não poupa. É matador nato. Não falo do duplo zero, mas, como dizia Mae West, dos 17 cm. Fecho o parêntese. Tudo isso para dizer que não uso carro, só táxi e, nesse caso, será que vou ter de ir de táxi e deixar o taxímetro rodando, enquanto vejo Bone Tomahawk? Muito caro, não? Já que tinha perdido o western de S. Craig Zehler, seja lá quem for, jantei no Viena e fiz um pouco de hora para ver, à meia-noite, The Witch/A Bruxa. São esses momentos da Mostra que me encantam. Dei uma volta na Paulista – tinha tempo sobrando. E ops, esse não é o Miguel Gomes? O diretor de As Mil e Umas Noites estava com uma garota que, como eu, usava o orelhão. Passei batido, dei uns passos e… Voltei! Vou entrevistar o Miguel daqui a pouco, mas não resisti a já lhe dar um alô. De volta ao Espaço Nacional, entrei pela madrugada no Halloween vendo a bruxa de Robert Eggers. Pelo que me contaram, o filme fez sensação em Sundance. Terror psicológico. Em plena pré-história da ‘América’, nos EUA colônia, nova Inglaterra etc, o lento processo de transformação de uma garota em bruxa, empurrada pela própria família, que vai sendo invadida pelo sobrenatural e é destruída pelo fanatismo e pelo preconceito. O filme evoca o clima das feiticeiras de Salem, o diretor tem o senso dos detalhes históricos, mas fiquei meio indiferente. Não sei o que esperava, mas terror ‘de arte’ é um gênero difícil, para grandes artistas metafísicos como o dinamarquês Carl Theodor Dreyer ou o japonês Masaki Kobayashi, e o tal Eggers não me parece ter corrida para isso. Falo mais de Mostra no próximo post.