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Mostra (8)/Não chore por nós, Argentina

Luiz Carlos Merten

23 Outubro 2018 | 00h52

Assisti ontem, segunda, a dois argentinos. O primeiro, O Anjo, passou numa cabine de imprensa da Mostra. É o representante da Argentina no Oscar. Não creio muito em suas chances, mas vá saber? O filme de um tal Luís Ortega baseia-se numa história real. Um demônio, garoto, com rosto de anjo. Junta-se a Chino Darín, o filho de Ricardo – que está estupendo em Uma Noite de 12 Anos -, para uma vida de crimes. Violência, homoafetividade. O filme chega à Mostra com a referência de ser o maior sucesso do cinema argentino no ano. Bela m… Desculpem-me, e me desculpe o Chino, que vale o crime. O outro argentino dá de 10. Vermelho Sol, de Benjamin Naishtat, com Darío Sanguinetti. Começa como o episódio que faltou em Relatos Selvagens. Um incidente num restaurante leva a uma perseguição e a um suicídio que vira assassinato. O personagem central é o ‘Dr.’ Torna-se suspeito num caso de desaparecimento, que vira reflexão sobre o ‘golpe’, na Argentina de 1975. No final, uma humanista, a diretora de uma escola de dança, faz um discurso sobre os tempos ‘oscuros’ que estavam/estamos vivendo. Ela fala da Argentina nos anos 1970 ou do Brasil em 2018? Quem viu aqueles jovens negros de periferia abraçados na bandeira do Brasil, na manifestação pró-Bolsonaro de domingo, deve ter sentido o mesmo mal-estar que eu. Para o candidato e seu vice, aqueles caras, como os índios, são vagabundos. Chumbo neles. Mas os coitados, num desespero de pertencimento, estavam apoiando seus exterminadores. Novilhos no matadouro. As mulheres, pró-Bolsonaro! E o filho, Bolsonarinho, só precisa de um soldado e um cabo para fechar o Supremo. Esse País enlouqueceu no antipetismo.