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Mostra (5)/E depois a louca… Quem é?

Luiz Carlos Merten

21 de outubro de 2019 | 23h27

Adoro Júlia Rezende. Acho-a bonita, inteligente, talentosa e confesso que não consigo desassociar seu nome de uma série que a Globo Filmes fez para o Festival do Rio, anos atrás, talvez 2017. Vinhetas em que diretores evocavam cenas de grandes filmes brasileiros. Júlia escolheu Central do Brasil, Josué correndo quando Dora vai embora e deixa aquela carta no filme de Walter Salles. Júlia dizia que seu objetivo, como diretora/autora, era tentar criar aquela emoção, aquele retrato do mundo real. É uma cineasta muito bem sucedida, mas é curioso, os filmes dela de que mais gosto não são os de maior sucesso de público – Ponte Aérea, Como É Cruel Viver Assim. Encontramo-nos no Teatro Municipal, e até brinquei. Acho que, de todos os seus filmes, o único do qual não visitei o set foi o que está na Mostra – Depois a Louca Sou Eu. Disse que, dependendo do resultado na bilheteria – se for muito bem -, ela deveria proibir minha presença em seus sets. Rimos do que era, ou deveria ser, uma piada. Acabo de ver o filme adaptado de Tati Bernardi. Sorry, mas, como tenho plena consciência de viver num universo paralelo, não sabia quem era, nem o livro. Nada contra – espero que Depois a Louca Sou Eu seja um sucesso -, mas comigo não deu a menor liga. Não tem nada a ver com gênero, e espero que não me acusem de feminicídio cultural, mas apesar da produção (Marisa Leão), da direção (Júlia) e da interpretação (Débora Falabella) – três mulheres a quem admiro -, longe de divertir o filme foi produzindo uma irritação próxima da exasperação. Socorro! Pânico, amor e tarja-preta. Tô fora. Nada a ver, mas, comparativamente, havia visto pela manhã Maria Caritó, com Lília Cabral, baseado na peça de Newton Moreno, e sou muito mais a brasilidade do filme de João Paulo Jabur, no que me evocou de O Auto da Compadecida e Lisbela e o Prisioneiro, que são filmes de Guel Arraes que me encantam. O mais curioso – incrível, fantástico, extraordinário, os dois filmes são com Gustavo Vaz, num personagem urbano e noutro ligado ao imaginário circense. O atirador de facas! Agora chega. Terei tempo de voltar aos filmes, e a seus elencos.