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Mostra (3)/Até logo, e a China em transformação

Luiz Carlos Merten

19 de outubro de 2019 | 12h18

Havia planejado emendar meu texto anterior sobre a Mostra com este que vou escrever agora, mas aí descobri a morte de Camila Molina, redigi um post e demorei para validar porque me parecia mais revelador de mim que dela. Ai, ficou uma cacofonia horrível. Descansa em paz, amiga. Gostaria tanto de acreditar que um dia, em alguma outra esfera, a gente poderá se reencontrar, mas sou materialista demais para isso. Requiescant. Volto à Mostra. Entre os filmes de hoje tem o dos Dardenne, O Jovem Ahmed, que não vi porque não a Cannes, e o Wang Xiaoshuai, So Long My Son, Até Logo, Meu Filho, que venceu o Urso de Prata em Berlim, e esse eu vi. Uma crônica familiar que atravessa bem uns 30 anos de história da China, retratando, de um âmbito intimista, as transformações ocorridas no país que saltou do comunismo para se tornar uma das maiores economias capitalistas do mundo. O povo chinês pagou, e ainda paga, um preço por isso, e Xiaoshuai começa seu filme de forma inesperada. Os garotos que vão tomar banho na represa, um se afoga, a corrida para o hospital e a vida que segue, essa grande vilã, com seus infortúnios. Espero ter tempo de rever, não hoje, porque o filme tem uma estrutura complexa, constrói-se no tempo, passa-se durante muitos anos, os personagens mudam, fisicamente, e eu confesso que cheguei a me confundir, com quem é quem. É um belo filme, forte, um Xiashuai à maneira de Jia Zhang-ke, só que melhor que os mais recentes de Jia, que não andam me agradando muito. Recomendo.