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Mostra (15)/E O Farol, hein? Socorro!

Luiz Carlos Merten

31 de outubro de 2019 | 09h48

Fiquei muito impressionado quando, na sessão de terça à noite de O Farol, no Auditório Ibirapuera, Renata Almeida disse que, desde as 6 da manhã, já tinha fila para ver o filme de Robert Eggers. Enfim, um diretor mais hype que Sofia Copolla no novo cinema de língua inglesa! Depois da sessão, fiquei mais impressionado ainda – mas que gente mais louca é essa que baba por essa m…? Pronto – escapou. Lá vou eu fazer inimigos. Rodrigo Teixeira talvez deteste, se ler isso, mas ele é pop. Total. Estava lá atrás, com visibilidade da sala toda, e quando a Renata anunciou a entrada da equipe de O Farol a ovação foi estrondosa. Rodrigo virou a representação do cara de sucesso (na matriz!), mas tenho a impressão de que se trata de um fenômeno mais paulista que brasileiro. Não sinto esse mesmo fervor no Rio, mas pode ser que me engane. Eggers, desde A Bruxa/The Witch, virou ‘o’ autor. Jovem, 30 e poucos anos,bonitão, cinema de gênero, presença já assídua em grandes festivais. Bom para ele, mas não consigo entrar no clima. Willem Dafoe, como velho lobo do mar, e Robert Pattinson como aprendiz. Um grande relato de expiação mitológica, ou um filme que quer ser um grande relato de expiação mitológica, permeado de referências literárias e cinematográficas. Capitão Ahab, claro. Som demais e tela de menos, com aquele formato que pode ser interessante por uns 15 minutos, mas depois me aborreceu. Não sei se só era marketing, mas segui o conselho do próprio Eggers, ao apresentar seu filme. D n epois de A Bruxa, baixei minha expectativa pelo que ia ver. Fiquei esperando que ele abrisse a tela, mas aí seria mais difícil manter o clima claustrofóbico. Dafoe e Pattinson num jogo de transferência de identidades – e destruição física e psicológica. Lord Jim encontra o terror psicológico de Stanley Kubrick – o machado de Jack Torrence -, mas quem é o iluminado, já que se trata de um ‘farol’? Over demais – acting, inclusive. Dafoe vai para o Oscar? A fotografia, em preto e branco, acho que sim. Espero que Rodrigo emplaque, e que emplaque também A Vida Invisível. Fernanda Montenegro no Oscar de coadjuvante. Yes, please! Esse País está tão na m… que qualquer afago na auto-estima já me parece positivo.