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Mostra (12)/Arábia…

Luiz Carlos Merten

04 de novembro de 2017 | 09h22

Fiz poucos posts – 14 – sobre o Festival do Rio. Queria ter feito mais sobre a Mostra, mas todo dia tinha cabines, entrevistas, filmes, as matérias do jornal. No dia da votação da crítica, cheguei um pouco atrasado – estava no cinema -, quando já se haviam estabelecido as regras. Não gosto muito dessa divisão entre cinema brasileiro e estrangeiro. Para mim, o melhor filme de toda essa Mostra foi brasileiro – Arábia, de Affonso Uchoa e João Dumans -, mas os coleguinhas estabeleceram que não podia concorrer porque já vencera o prêmio da crítica em Brasília. É verdade que não vi o chileno vencedor do Prêmio Bandeira Paulista, o que devo fazer amanhã, na repescagem. Tenho ouvido falar maravilhas do chileno O Pacto de Adriana, de Lyssette Orozco. Diego Lermann, que integrava o júri internacional, contou-me que a vitória por unanimidade não foi só uma frase. O júri ficou tão impactado que não quis dar nenhuma menção para não diminuir a força de sua (seu?) Bandeira Paulista. Já a crítica outorgou um prêmio para o melhor brasileiro, outro para o melhor estrangeiro e uma menção, que não estava no programa, e foi para meu segundo melhor filme, após o Arábia – Visages, Villages, de Agnès Varda e JR. A Abraccine outorgou seu prêmio e foi para um quarto filme, e só agora, idiota!, me dou conta de que poderia ter-me batido pelo Arábia, porque ele ganhou foi o prêmio da Abraccine. O da crítica é mais abrangente na Mostra, e espero que continue assim, me permitindo votar. Durante a votação, duas ou três pessoas votaram em 1945. Confesso que não sabia que filme era. Procurei depois no catálogo, e o filme do romeno Ferenc Tórok me pareceu muito interessante. A votação foi na segunda à noite. Na terça, houve a última sessão, à qual não pude ir. Gostei muito de ter visto alguns filmes que, para a maioria, se perderam na extensa programação. O do neto de Vittorio De Sica, Andrea, poderia ter concorrido ao (à) Bandeira Paulista, mas o público não pré-selecionou Os Filhos da Noite. Amei os Taviani, Uma Questão Pessoal, e nisso não estava sozinho, porque meu editor, Ubiratan Brasil, também gostou muito. Passado o mal-estar inicial que me provocou Uma Espécie de Família – minha primeira reação ao filme de Diego Lermann foi física -, fiquei impactado. Um filme realmente sobre a construção da ética num mundo sem moral. Uma Espécie de Família deveria passar, como matéria obrigatória, para os três poderes constituídos do País, para ver se aprendem alguma coisa. Ainda está em tempo. A Pandora distribui a coprodução da brasileira Bossa Nova. Não sei se já comentei, mas, a par de achar a atriz espanhola a cara de Marina Person- que estava no júri com Diego, e ele me contou que não fui o único -, o filme me atormentou por uma frase musical que eu tinha certeza de que não era de José Villalobos, que assina a trilha. Foi a primeira coisa que perguntei ao Diego. ‘Me tira desse tormento, de que filme é?’ Ele então me disse que era sua homenagem a dois autores que ama. Leonardo Favio, de El Romance del Aniceto e la Francisca, e um filme de François Truffaut, cujo título era… Não se lembrava, mas imediatamente me caiu a ficha. Era o ‘meu’ Truffaut, O Garoto Selvagem. O mais belo (e triste) tema de Vivaldi. Precioso…

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