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Mostra (1)/Putting melos into drama, Fernanda

Luiz Carlos Merten

18 de outubro de 2019 | 09h45

Será meu primeiro post com a rubrica da Mostra, mesmo que parte dele seja sobre minhas atividades nos últimos dois dias, que incluíram uma viagem ao Rio. Entrevistei Olivier Assayas na quarta à tarde, depois de assistir à cabine de Wasp Network, pela manhã. O filme abriu à noite a 43.ª Mostra Gostei dois terços, ou três quartos do filme, enquanto está mostrando o funcionamento e, depois, o início da rede de espionagem montada pelos cubanos em Miami – é interessante que eles não digam Maiami e sim, Miamí. A partir da chegada de Penélope (Cruz) nos EUA vira novelão. O reencontro com Olivier foi ótimo. Esse, eu conheço de outros carnavais, desde Cannes, nos anos 1990. Demonlover/Espionagem na Rede, Clean, Carlos, Vidas Duplas (entrevista feita no Rio). Hoje, sexta, é o dia dele na Mostra. Master class, retrospectiva. Fui ao Rio por duas pautas – para entrevistas José Luiz Villamarim, de volta à direção de novelas, após quase uma década que para ele foi prodigiosa. Villamarim fez história com Avenida Brasil e pode fazer de novo com Amor de Mãe, que grava como cinema, filmando com câmera de última geração. Há três meses ele está envolvido no processo com o amigo Walter Carvalho. Mostrou-me um material – cenas com as três protagonistas, Regina Casé, Adriana Esteves e Taís Araújo. Gostei demais do que vi. Villamarim subverte o ritmo industrial das novelas trabalhando artesanalmente. Se conseguirá levar isso até o fim, ele não sabe, mas eu espero. Novela = melodrama. Por mais que invente, Villamarim não nega o óbvio. Putting melos into drama, a definição do melô pelo grande Vincente Minnelli. Quando me dei conta, já estava chorando com Regina, e com Adriana, as grandes sofredoras das imagens que pude ver. Ainda nos Estúdios Globo, emendei com uma visita ao set de Todas as Mulheres do Mundo, a série – 12 capítulos -, escrita por Jorge Furtado, com direção de Patrícia Pedrosa, que homenageia o grande Domingos Oliveira, trazendo Emílio Dantas como Paulo, o emblemático personagem de Paulo José no filme de mesmo nome, de 1966. Gostei do que vi, e acho muito legal que essa homenagem as um homem que notoriamente amava as mulheres (domingos) seja filtrada pelo olhar feminino, de uma diretora que não conhecia, mas já admirava – pelo trabalho em Cine Holliúdy – A Série. Realmente, estou sentindo que vêm coisas muito criativas na TV, na Globo. De volta a São Paulo, mergulho hoje no dia a dia da Mostra, e para começar teremos A Vida Invisível, de Karim Aïnouz, com Fernanda Montenegro, no Theatro Municipal. Mais gala, impossível. Karim e o melodrama, no caso dele, filtrado pela influência assumida de Rainer Werner Fassbinder. Mulheres num universo dominado por homens. Machismo. Não sei se fica entre os finalistas para o Oscar de melhor filme internacional, mas torço para que Fernanda, com o prestígio que já tem na Academia, seja indicada para melhor coadjuvante, por que não?

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