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Mostra (1)/Olivia Colman e o garoto de Rota Selvagem

Luiz Carlos Merten

19 Outubro 2018 | 00h01

Tenho feito tantos textos com destaques da 42.ª Mostra – para o C2, o Divirta-se – que não ando tendo tempo de postar. Ontem à noite, quarta, cabulamos a abertura e fomos a um restaurante grego novo, na Lorena, Orlando Margarido e eu. Deixamos para ver o filme de abertura na manhã de quinta. A Favorita, do grego Yorgos Lanthimos. É um cineasta que sempre me desconcerta, mas, se o Oscar for honesto, já temos melhor atriz – Olivia Colman, que faz a Queen Anne. Que mulher é essa? Que atriz! Tem uma cena em que Lanthimos fecha o plano na cara dela. Olivia olha, meio estupidificada, para quê, quem? Desde Greta Garbo, no icônico plano final de Rainha Christina, de Rouben Mamoulián, não via nada parecido. Com exceção dos dias em que estive no Rio, tenho ido às cabines da Mostra. Talvez surpreenda, mas não vi nada melhor do que A Rota Selvagem, de Andrew Haigh, com Charlie Plummer. Estava tentando me lembrar de onde conheço o garoto. Claro, ele foi John Paul Getty III em Todo o Dinheiro do Mundo, de Ridley Scott. O filme me causou a mesma forte impressão que tive há dois anos com Indignação, de James Schamus, com Logan Lerman e Sarah Gadon, baseado em Philip Roth. A juventude como não costuma ser retratada. O garoto de A Rota Selvagem foi abandonado pela mãe. Tem uma ligação instável com o pai. Vai trabalhar com um treinador de cavalos de corrida. Foge com o cavalo, que se chama Lean on Pete. Atravessa a ‘América’, tentando ir para o que acha que será sua casa. Realiza um movimento de descenso social, até virar sem-teto. Poucas vezes vi retrato tão doloroso, pungente, da solidão. Sugiro que vejam.