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Mônica Martelli, Paulo Gustavo e o ‘milhão’ de Minha Vida em Marte

Luiz Carlos Merten

03 de janeiro de 2019 | 09h57

Estou indo ao Rio daqui a pouco. Viagem curta, a lazer, somente até domingo, aproveitando que, justamente hoje, estão começando minhas férias. Para variar, sigo trabalhando. Tenho uma capa amanhã, a apresentação do Globo de Ouro no domingo e na quarta tenho de estar em São Paulo para o debate Estado sobre Meu Querido Filho, o longa do tunisiano Mohamed Ben Attia, no Belas Artes. Na verdade, no domingo à noite, vou estar – espero – na redação para a cobertura do Globo de Ouro. Na quinta, 10, embarco para o Chile, que emendo com Tiradentes, a Mostra Aurora, e depois Europa – Paris, Berlim. Pela primeira vez em muitos anos, estou fazendo todas essas viagens de férias sozinho, o que vai ser uma experiência nova. Soube ontem, na redação, que está rolando uma polêmica entre Cacá Diegues e Maria do Rosário Caetano. Não entrei nos detalhes, mas me informaram de acusações graves – autoritarismo, fascismo -, o que muito me entristece. Já somos tão poucos, os que resistimos. Em janeiro (passado) não estava bem, comprei algumas brigas idiotas em Tiradentes, fui acusado, sei lá, de machismo e deve ter colado, porque, pela primeira vez, também estou indo à cidade mineira sem nenhum convite para participar dos debates. Faz parte. Nessa confusão toda, há que registrar um feito notável. Eles conseguiram, mais uma vez. Mônica Martelli e Paulo Gustavo, Fernanda e seu amigo gay, Aníbal, comemoram mais de um milhão – 1 milhão! – de espectadores para Minha Vida em Marte, conseguidos entre o Natal e o Ano Novo. O ano de 2018 foi sofrido e sofrível para o cinema do Brasil, estou falando de números, porque tivemos grandes filmes (Arábia, Antes do Fim, etc), mas em termos de blockbusters foi um fracasso e muitos filmes, presumivelmente de grande bilheteria, não passaram nem perto do esperado. OK, Minha Vida tem por trás a máquina da Globo, mas só isso não explica o sucesso. O que gostei no filme da Mônica e do Paulo, dirigido pela irmã dela, Susana Garcia, é que, tratando de separação, Minha Vida não adota as facilidades do retorno do casal nem do novo amor. É a Mônica com ela e o amigo, retomando da vida o que tem de bom. Mesmo assim, vejo no Guia da Folha que o filme é ruim, uma estrela. Jesus, manso e humilde de coração, fazei meu coração semelhante ao vosso – Augusto Matraga, A Hora e a Vez, Sagarana, de Guimarães Rosa. Volto ao Show da Virada e à Virada do show. Aquela gente não se cansa? Alegria, felicidade! Foda-se o mundo, quero (eles querem) ser feliz(es) 24 horas por dia, e o resto que se exploda. Eu digo que, nesse mundo de alienação, está cada vez mais difícil tentar manter a sensatez. Gosto dos momentos de tristeza da Fernanda e da forma como Aníbal a anima. Ele, destrambelhado, está sempre colocando o dedo nas feridas. É a alma do filme, o contraponto perfeito para a crise que ela está vivendo.