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Mon amour! A voz do povo é quem diz…

Luiz Carlos Merten

08 de fevereiro de 2016 | 10h16

Vários dias sem postar. Deixem-me dar notícias. Fiz muitas entrevistas, muitas capas do Caderno 2, vi filmes (alguma dúvida?) e, claro, saí na Vai-Vai. Nunca havia saído na escola campeã do ano passado. O carnaval tem batido com Berlim e termino preferindo a Berlinale. A propósito, embarco amanhã à noite para mais uma edição do festival, a 66ª, que começa na quinta, 11, com os irmãos Coen, Hail, Caesar!/Ave, César, que já vi e, excepcionalmente, gostei. Ave, Anna! Estou falando na Muylaert, que volta ao Panorama com seu novo filme, Mãe Só Há Uma. Depois de Val e Jessica em Que Horas Ela Volta?, Anna Muylaert inspira-se na história de Pedrinho, o bebê brasiliense que foi sequestrado na maternidade e um dia, descoberto o caso, teve de voltar à família biológica, sem nunca se desligar da falsa mãe. Baseado numa história parecida, Hirokazu Kore-eda fez o belíssimo Pais e Filhos, cujos direitos Steven Spielberg teria comprado, para refilmar. Na entrevista com Anna, ela me contou que Hollywood está interessada em fazer o remake do Que Horas…?, e mesmo assim o filme não foi para o Oscar. Velhos loucos, os que votam na categoria de filme estrangeiro. Sobre o Mãe, Anna é uma figura e deve ter achado que a situação, em si, não era suficiente e ainda fez do seu garoto um jovem que transita na fronteira dos gêneros, um trans. Mas estava dando notícias. A Vai-Vai! A idade pesa e eu transpirei feito louco, tomei um banho de suor, perdi o fôlego umas quantas vezes – e não dava para parar -, mas é um trem bão demais da conta. Pena que a fantasia fosse o ó – éramos, Dib Carneiro, Leila Reis, Arlete Salvador e eu, gárgulas da catedral de Notre Dame, tendo de carregar, além de tudo o que vocês possam imaginar, e podem ver nas fotos que o Dib e a Leila postaram nas redes sociais, um vitral nas costas! Apesar dos meus 70 anos, ainda espero sair um dia com uma fantasia simplezinha . E também ter de cantar um samba-enredo menos complicado. O tema era Je Suis Vai-Vai e a exaltação a Paris era tão intrincada que não levantou a arquibancada. No máximo, o refrão – Mon amour/A voz do povo é quem diz/Sou raça sou raiz/Há tantos carnavais/Je suis Vai-Vai – foi que animou. Mas não posso encerrar o post sem dar conta de mais cinema. Alê Abreu ganhou, no fim de semana, o prêmio de melhor animação independente do Sindicato dos Animadores com O Menino e o Mundo, que tem aquela paleta maravilhosa de cores. Não é pouca coisa e é um belo reconhecimento ao esforço de Alê e da equipe dele, mas a grande vencedora foi uma animação do cinemão, da Pixar, coisa de US$ 200 milhões, Divertida Mente, de Pete Docter, o Dr. Pixar – que adoro, devo admitir. No fim de semana, Alejandro González-Iñárritu ganhou também o prêmio do Sindicato dos Diretores, por O Regresso. Os prêmios das Guilds, mais que o Globo de Ouro, têm valido como indicações para o Oscar. O Regresso e Iñárritu e Leonardo DiCaprio já ganharam os prêmios dos sindicatos dos diretores e atores, mas o dos Produtores votou em Spotlight. Nos últimos anos, quem leva o prêmio da Producer’s Guild tem levado também o Oscar principal. Isso fortalece minha intuição, vamos ver se estará certa, de que teremos uma divisão nas categorias de filme e direção. Não é raro, vamos ver se se confirma. Ainda faltam 20 dias para o Oscar e, até lá, vamos ver se a tendência se mantém.