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Molière!

Luiz Carlos Merten

09 de maio de 2013 | 09h01

Fui ver Pedalando com Molière e me encantei com o filme de Philippe Le Guay que, além do mais, proporciona grandes atuações a Fabrice Luchini e Lambert Wilson. O ator recluso, um misantropo, recebe a visita de outro ator que estourou na TV (com um folhetim sobre médico, a la Dr. House) e lhe propõe que retorene à cena numa nova montagem de Molière e de… Le Misantrope. Os diálogos da peça são incorporados à realidade de ambos, a tal ponto que, de repente, os diálogos do dramaturgo se ajustam ao que os protagonistas estão dizendo e vivendo. Luchini veste-se como Alceste, a vida imita a arte e ele cospe frases que levarão a iniciativa (a produção) a um beco sem saída. Muito interessante, inteligente e os atpores,. repíto, são ótimos. No embalo de Pedalando com Molière e O Homem, Que Ri, no Festival Varilux, e somando os dois filmes ao Resnais, Vocês ainda não Viram nada, e a duas peças em cartaz, o Murakami de Monique Gardenberg e o Rain Man de José Wilker, fiz um terxto para op Caderno 2, sobre a maneira como esses filmes e peças se constroem nas bordas das duas linguagens. Resnais, Jean -Pierre Améris (O Homem Que Ri) e Le Guay levam o teatro para o cinema, o palco para a tela, enquanto Wilker e Monique seguem o caminho inverso. Conversei com ela, que me disse como pensa cinematograficamente, como a câmera é a extensão de seu braço e, quando pensa ou escreve um texto, ele já vem visualizado. Rogério Sganzerla definia o estilo de Monique como ‘cinema vivo’. Pode ser que as histórias aque compõem O Desaparecimento do Elefante componhasm um espetáculo irregular, mas e daí? Adorei o conceito, a realização, a iluminação e a forma como Daniela Thomas cria sua cenografia digital. Amei a Ana Karenina de Maria Luiza Mendonça e Monique, e a diretora me disse como ‘sampleou’ outras Kareninas e até Gritos e Sussurros, de Ingmar Bergman, da mesma forma como músicos fazem samples de outros cantores e compositores para criar a música deles. Fiquei até com vontade de rever O Desaparecimento do Elefante, mas já tenho duas ou três peças engatilhadas para ver no fim de semana e na segunda jás estarei voando para Cannes. A Croisette me chama e eu nãso resisto àquele chamado, mesmo que a seleção destye asno esteja me parecendo desconcertante. Em princípio, Un Certain Regard parece melhor que a competição, mas eu vou como sempre – esperando ser surpreendido. E que tal ser surpreendido logo no primeiro dia, pelo Gatsby de Baz Luhrmann? Meu ex-editor, Evaldo Mocarzel, foi a Cannes naquele ano e achou o filme uma ‘excrescência’ – e o Evaldo, carioca, carregava nos Ss para destilar seu veneno contra a obra-prima de Baz, que Isabela Boscow, senão me engano, também tratou a pontapés na Veja. Não entenderam nada. There was a boy/A very strange, enchanted boy… David Bowie começa a cantar e eu já estou em trsanse, ali, onde outros só conseguem ficar, ou passar, em trânsito. O desejo de Gatsby pela sua Daisy é um material sob medida para Baz Luhrmann. Resta saber se ele acertou o tom, já que Jack Clayton errou feio na versão dos anos 1970, que tinha (aparentemente) tudo para ter sido 10 – roteiro de Francis Ford Coppola, a aura de Robert Redford e ‘aquela’ trilha. Espero que sim (que Baz tenha acertado).

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