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Mix Brasil (5)/Sócrates!

Luiz Carlos Merten

22 Novembro 2018 | 09h09

Não, não é o dr., irmão de Raí, amigo do Casagrande. Embora o Festival de Cultura da Diversidade só termine domingo, a cerimônia de premiação foi realizada ontem, 21, no CCSP. Confesso que não sabia. Havia revisto Tinta Bruta no Spcine Olido e fiz hora para o Colette, no Cinesesc. Sou pela inclusão, mas tive de abandonar a sessão do longa sobre a escritora. Havia audiodescrição, mas não personalizada. Num volume altíssimo, verdadeira gritaria, a narração inviabilizava qualquer possibilidade de fruição do filme. Se atingiu seu público alvo, ótimo, mas eu prefiro ver em outras condições. De volta à premiação, ganhou o Sócrates, de Alex Moratto, que nem estava entre os filmes brasileiros habilitados a concorrer a uma vaga no Oscar, mas, desculpe-me Cacá Diegues, creio que seria nosso melhor candidato. No embalo de filmes como Moonlight e Corra!, creio que Sócrates teria toda chance no prêmio da Academia. Está no Spirit, o Oscar independente, concorrendo em três categorias. Não tinha visto Sócrates na Mostra, onde ganhou o prêmio da Abracine na Mostra e deveria ter recebido o prêmio da crítica, mas, até onde me lembro, sequer foi mencionado naquele jantar ou, se foi, não teve votos suficientes para chegar à disputa final. Lá vou eu fazer inimigos – Orlando Margarido me contou que Maria do Rosário Caetano estava caçando os votantes de Todas as Canções de Amor, para saber quem foram. Se tivesse ido à votação, saberia e um voto, dois então, teriam feito a diferença, mas não foi e assim e o Canções venceu pela omissão dos contras. Sob diversos aspectos, Sócrates é um acontecimento no cinema brasileiro atual. Não digo que seria meu melhor do ano, se fosse lançado agora, porque Arábia segue no trono, mas Sócrates é forte – o garoto negro, pobre, que perde a mãe e é rejeitado pelo pai, por ser gay. Sócrates possui ecos de tragédia e mitologia gregas. Em busca de de emprego, ele cruza com diversas pessoas e vive experiências intensas. Permanece basicamente sozinho, e o grande tema embutido de Sócrates talvez sejam a representatividade e a afirmação da própria identidade. O filme é poderoso também, pela singularidade da sua produção. Custou US$ 20 mil e foi feito em parceria com o Instituto Querô, de Santos, uma ONG que trabalha na inclusão, pela arte, de jovens em situação de risco social. Os garotos do filme são ótimos, foi uma bela vitória a de Sócrates. Fui a muitos dos primeiros festivais de cultura da diversidade, numa época em que o Mix era basicamente festival de diversidades sexuais. Num período, Flávia Guerra começou a fazer as matérias para o 2 e eu me afastei um pouco. Voltei este ano, vi muitos filmes, brasileiros principalmente, e valeram a pena. A seleção nacional oferece um recorte muito rico do Brasil atual. # Penso logo resisto. Foram tantas as dificuldades para fazer a Mostra, o Festival do Rio em 2018. E o Mix Brasil, então? Nesse País violento, racista, homofóbico, o festival tem de existir.