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Mix Brasil (2)/Xavier Dolan (por que tanto ódio?)

Luiz Carlos Merten

16 de novembro de 2019 | 10h15

Tinha uma expectativa imensa pelo Xavier Dolan, Matthias et Maxime. Gosto demais daquele moleque – Mommy é uma obra-prima – e sempre me surpreendo com a visceralidade das reações de alguns colegas a ele. Jovem, belo, talentoso – e gay. Não sei qual o quesito que provoca tamanha reação contrária, mas ela existe. Para salvar a cara, dirão que não é preconceito. Ele não seria talentoso, então, é isso. Hã-rã. Confesso que não tendo ido a Cannes este ano, e não tendo acompanhado a cobertura do festival, não sabia nada sobre o filme e sua recepção, exceto, talvez, que Matthias e Maxime não teria repercutido como outros filmes dele. De cara me incomodou aquela marca, supostamente de nascença, na cara do personagem. Com o risco de parecer incorreto, um Dolan com defeito de fabricação? Uma metáfora para o próprio filme, que obviamente foi feito na urgência, mais rápido que qualquer outro do autor. Matthias e Maxime, dois amigos. A questão do gênero não é imediatamente colocada. Dolan e Gabriel D’Almeida Freitas – fui pesquisar e descobri que é famoso no Canadá, onde existe uma colônia portuguesa forte. Amigos. Numa festa, são forçados a participar de uma filmagem. Uma cena de beijo que desestrutura tudo, e provoca a maior crise. A metáfora do beijo gay – nas telenovelas brasileiras, de resto bem avançadinhas, nada provoca cataclismo maior. Mata mas não beija, é a norma. Escrevi a palavra e me veio, no automático, a Norma Cury, minha colega jornalista. Vi a Norma todo dia durante a Mostra. Foi-se a Mostra e a Norma sumiu. Onde andará? Dolan e o amor gay – não, o amor sem rótulos. Não creio que seja um grande Dolan, mas vou precisar ver o filme de novo. Incomodaram-me a mancha, admito, e o francês com sotaque e cheio de gírias, no limite do ininteligível. Cenas ficaram comigo. Aproveito pasra falar sobre a vinheta do Mix Brasil 2019. Não é bem uma vinheta, é mais um curta. Uma frase – querem me tirear a arte, mas a arte não sai de dentro de mim. Lindo! Já vi cinco ou seis vezes e me emocionei em cada uma delas. Parabéns a quem fez.

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