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Mistério Yamaguchi

Luiz Carlos Merten

22 Maio 2018 | 05h00

PARIS – Um dos filmes de que mais gostei em Cannes foi o Ryusuke Yamaguchi, Asako 1 e 2. Cheguei aqui o fui ver o filme anterior do autor japonês. Senses. Uma série de cinema. Qquatro amigas, uma delas desaparece. Assiste ontem ao 3 e 4, depois ao 1 e 2. Daqui a pouco quero ver o 5. Dib Carneirtop erstás fazendo um cursdo de roteiro de audiovisual em São Paulo. Jasntamjos, em Cannes, no Laura, George Mora, Ana Luiza Müller, Elaine Guerini e eu. George é o roteirista, cocriador, com Zé Villamarim, de Onde Nascem os Fortes. Tenho pensado muito nessa questãso do roteiro. No que é o cinema, afinal. Um coleguinha achou o roteiro de Solo – Uma História Star Wars fraco. Eu fiquei encantado. O diretor Ron Howard e o roteirista Lawrence Kasdan construíram uma aventura à moda antiga. Um western futurista, com ecos de Sergio Corbucci, Django. Han e Chewbacca, antes de virarem mitos, enterram os pés no barro. Cada história tem seu tempo, seu espaço, seu modelo de narração. O quarto episódio de Senses me deixou chapado. Não acontece muita coisa. As amigas chegaram a um momento de ruptura. Tem uma master class. A autora lê parte do seu livro que ainda vai sair. Um amigo das amigas deve fazer o debate, mas ele não está nem aí. Chama uma para fugir, outra. Finalmente acha a que lhe dá ouvidos e partem. A master class, sem o seu guia, vira improvisação – como a vida. Agora quem debate é um biólogo, que não tem nada a ver com literatura. Não ocorre nada, como já disse. Nada? Ocorre tudo. A conversa ilustra questões viscerais da existência, mas certamente não é uma narrativa tradicional. Encantei-me com o Yamaguchi. Puta filme bonito. Fiquei pensando no Nuri Bilge Ceylan, ignorado pelo júri de Cate Blanchett. A Pereira dos Frutos Selvagens – The Wild Pear Tree – tem mais de três horas de duração. Uma meia-hora (brinco) resume a histórias. Pai, filho, disfunção familiar. Na coletiva – éramos poucos -, Nuri disse que o filme era sobre o pai, mas aí ele achou que seria interessante mudar. O filho. O restante são aquelas longas conversas de que o grande diretor possui o segredo. Nuri talvez não passasse na avaliação de um roteirista profissional. Um querido amigo português me disse que o filme seria melhor com uma hora menos. Ah, é? Cortando qual daquelas conversas?