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Miscelânia, de novo

Luiz Carlos Merten

19 de agosto de 2012 | 13h52

Olá! Passei três dias sem dar notícias. Estava no Rio, por conta do Festival Varilux, entrevistando todo aquele elenco francês, com destaque, como esperava, para Nadine Labaki e Astrid Bergès Frisbey. Nadine é ainda mais bela do que parece na tela e foi calorosa. Conversamos, e o marido dela, o compositor Khaled Mouzamar, participou da entrevista falando de sua trilha ‘multicultural’ para ‘E Agora, Onde Vamos?’ Astrid foi uma surpresa. Já a havia entrevistado, em Los Angeles, como a sereia do último ‘Piratas do Caribe’, mas só na quinta descobri que ela, na verdade, nasceu na Espanha, é bilíngue e tem levado sua carreira alternadamente nos cinemas francês e espanhol. Além de ver filmes, tinha matérias para fazer e até outras entrevistas, que aproveitei e fiz ontem. Voltei à noite e fui correndo jantar com meus amigos Dib Carneiro e Gabriel Villela, mais um pessoal bacana do Grupo Galpão. Estou na redação do ‘Estado’. Acabei os filmes na TV de amanhã e terça e vou ter agora uma tarde agitada. Às 6, corro para o aeroporto, agora para um voo internacional – Los Angeles, onde assisto amanhã à noite ‘Curvas da Vida’ e na terça entrevisto… Clint Eastwood! Vai ser minha primeira entrevista com o xerife e, embora não ande gostando dos últimos filmes dele, o cara é um ícone, o astro de Don Siegel e Sergio Leone, além de diretor de filmes de que gosto, como os westerns ‘ O Cavaleiro Solitário’, que passa amanhã à noite, 22 horas, no TCM, e ‘Os Imperdoáveis’. Pelo que entendi, a entrevista vai ser um Burbank, onde fica a Warner, e neste caso imagino que poderá ser no chalé que abriga, no complexo do estúdio, a produtora de Clint, a Malpaso. Será? Mesmo correndo, não posso deixar de registrar. O filme de Breno Silveira não está indo bem de público e eu não consigo espaço para voltar a ele, no ‘Caderno 2’, com tanta coisa ocorrendo. Não conheço uma pessoa que, tendo visto ‘À Beira do Caminho’, não tenha gostado, mas o filme é muito fechado, emotivo/triste, e o público não tem feito o boca a boca. É verdade que os filmes de Breno, o próprio ‘2 Filhos de Francisco’, não estouram de cara, precisam de um tempo. Vários de vocês já me disseram aqui mesmo no blog que iam ver – viram? Gostaram? Não gostaram? Recomendem aos amigos, aos inimigos, como pede o povo do teatro. O problema, bem entendido, não é só com ‘À Beira do Caminho’. ‘360’ e ‘Corações Sujos’ estrearam mal na sexta-feira, mas esses não são filmes ‘brasileiros’, mas de diretores brasileiros. O filme de Fernando Meirelles levou pancada de tudo que é lado e a imprensa norte-americana caiu matando. Quero dizer que, do ponto de vista da mise-en-scène, é o filme mais maduro do diretor e também a melhor de suas incursões internacionais, embora não tenha a urgência nem o comprometimento de ‘Cidade de Deus’. Meirelles precisa voltar a filmar no Brasil, mas espero que vocês não se privem dos cinco minutos geniais de Anthony Hopkins na reunião dos Alcoólicos Anônimos nem do belo encontro do motorista russo que parece gângster, mas é um leitor inveterado (e romântico) que encontra sua alma gêmea. Aquilo é lindo, e o filme, muito interessante, tem dois finais, o do roteirista Peter Morgan, que escreveu ‘A Rainha’, e o do diretor, uma criação dele, que não estava no script, quando a tela se divide para mostrar (…quem?) em rota, na estrada da vida. Adorei aquilo e fiz o ‘meu’ filme, o meu ‘360’, a partir dali. ‘Corações Sujos’ é muito bem feito e conquistou a crítica do Japão, mas pelo visto o público brasileiro não está interessado num filme falado em japonês, mesmo que conte uma apaixonante história pouco conhecida, lá como aqui. O curioso é que nem os leitores de Fernando Morais. Se só o público que consumiu o livro – um best seller – tivesse ido na sexta, o resultado teria sido muito melhor. Quem sabe foram ontem? Ou vão hoje? Sobre o Festival Varilux, acho que, pela primeira vez na vida, vou recomendar um blockbuster francês. Em geral, essas comédias que fazem sucesso por lá não agradam aqui, onde o público quer ver filme francês cabeça. Mas ‘Os Intocáveis’ é especial.  Não vou falar nada sobre a história. Vão ver como eu fui, só com a imagem do cartaz na cabeça – um negro forte e sorridente empurrando a cadeira de rodas de um tetraplégico, e os dois riem. Se vocês não viajarem com François Cluzet, em seu melhor papel, e essa força da natureza chamada Omar Sy… Bem, é um direito de vocês, mas eu espero sinceramente que vocês tenham pelo menos parte da emoção que senti. 20 milhões de espectadores na França não são pouca coisa. ‘Tropa de Elite 2’ fez quanto? 10,5 milhões e já fez história no Brasil. ‘Les Intouchables’ pode fornecer um bom ponto de partida para se discutir humor, drama, o público. Mas vamos ver como será seu desempenho no Brasil. Algo está se passando, depois de ‘O Artista’, que ganhou o Oscar. ‘O Artista’ é a obra refinada de dois artistas populares, o astro Jean Dujardin e o diretor Michel Hazanavicius. ‘Os Intocáveis’ quer ser, e é, popular nos seus contrastes. Estou até agora tentando decifrar os mistérios do filme e de seus personagens, e olhem que o vi na quinta à noite.

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