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Miscelânea, mais uma

Luiz Carlos Merten

16 de agosto de 2012 | 08h13

Sigo daqui a pouco para Congonhas, a caminho do Rio, onde no fim da manhã ocorre a entrevista com convidados do Festival Varilux e, à tarde ou amanhã pela manhã, poderei entrevistar Nadine Labaki e Astrid Bergès, que são minhas prioridades na lista deste ano. Nadine ganhou o prêmio do júri ecumênico em Cannes, com ‘Et Maintenant, on Va Ou?’. Astrid, la fille du puisatier, foi a sereia apaixonada do úlçtimo ‘Piratas do Caribe’. Bem que tentei ontem ver ‘Arsenal’, do meu amado Dovjenko, com acompanhamento musical, na Jornada de Cinema Silencioso, mas não tive chance. As mudanças na edição, a corrida para deixar prontas as matérias da edição de amanhã, tudo isso sdomou-se à morte de Sérgio Silva, que ativou lembranças e eu fiquei baqueado. Mas quero falar agoras, antes de embarcar, de ‘Crianças Prodígio’. O filme de Markus Rosenmüller venceu o Festival Judaico. Cavouca nas feridas do holocausto. Cada vez mais, depois de expor a grandiosidade da tragédia – 6 milhões de mortos -, o cinema se voltra para as pequenas histórias. Como a desse casal de pequenos músicos que começam tocanmdo para Stálin e, depois, sob a ocupação alemã, são perseguidos – e sacrificados – porque são judeus. Há uma outra menina que se liga a eles. É ariana. Criam uma sinfonia da amizade, mas ela não é forte o suficiente para resistir aso turbilhão nazistas. No final, se reencontram velhos os dois que restaram do trio. Ele parou com a música, virou restaurador. O tempo foi um personagem importante nos filmes do Festival Judaico que vi neste ano. E eu viajei me lem,brando da grande cena de ‘O Leitor’, quando Ralph Fiennes vai levar a Lena Olin o dinheiro da indenização que Kate Winslett juntou na cadeia para ressarci-la. O dinheiro não é importante para a judia rica, mas Kate guardava suas notas e moedas numa pequena lata semelhante a outra que permanece na memória de Lena. Ela rejeita o dinheiro, mas pega a latas. Aquilo é de uma beleza de arrebatar, e arrebentar. E os atores! As atrizes! Tenho um carinho especial por Stephen Daldry, mesmo achando que ele ainda não fez o grande filme de que é capaz. E lembrei-me de ‘Billy Elliott’, que bem poderia integrar qualquer lista de belos filmes sobre paternidade. O pai precisa vencer seu preconceito para aceitar que o filho queira ser bailarino. Depois disso, ele tem de transigir com suas convicções, furando a greve para que o pequeno Billy tenha o dinheiro de que necessita para o curso. Nesse caso, o dinheiro tem, sim, importância, mas há essa cena em que o pai, no ônibus dos fura-greves, encara os colegas como quien se desangra. E o final de ‘Billy Elliott’, o voo do pássaro. Escrevo isso e me emociono. Misturo as coisas. ‘À Beira do Caminho’ não está indo nada bem de bilheteria, e o problema me parece que é convencer o público a ir ver o novo Breno Silveira. Todo mundo com quem falo gosta do filme, se envolve com a história e os personagens. mas a massa não está indo. Estou dispersivo, um pouco deprimido nesta manhã. Vai passar. Tudo isso é meio um desabafo. O tempo, como dizia Cazuza, não para.

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