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Mirada (2)/Souvenir Asiático e a tragédia dos migrantes

Luiz Carlos Merten

16 Setembro 2018 | 10h40

No total, o Festival Íbero-americano de Artes Cênicas da Baixada Santista mostrou, de 5 até ontem, 15, 41 espetáculos de 13 países. Tentar dar conta da riqueza e complexidade do evento a partir de três montagens, apenas, pode até até parecer irresponsabilidade, mas vale a pena. País homenageado, a Colômbia trouxe dez espetáculos. Vi somente um, Souvenir Asiático, direção de Javier Gómez, dramaturgia de Martha Márquez. A tragédia dos refugiados colocada no espçaço cênico dos Arcos do Valongo – seis histórias que confrontam migrantes e o aparelho de repressão de diferentes lugares do mundo, em que refugiados, e não apenas, são tratados como criminosos. Souvenir Asiático é pesado – sim! -, mas o trabalho dos atores com bonecos, somado a projeções de vídeo e a um rigoroso sistema de iluminação e sonorização, coloca a gente ‘dentro’ do drama. Nós o público, fomos acomodados no centro e, nas duas extremidades, rolavam as situaçõe, sem o conforto da construção de um palco tradricional. Quando os manipuladeores de bonecos atravessaram a plateia, quase surtei. Face à direitização do mundo distópico e à impossibilidade do neoliberaslimo econômico de resolver as tensões planetárias – seu compromisso é com a concentração de renda e poder -, qual deve ser o projeto da esquerda? Resistir à violência e ao (neo)colonialismo é necessidade vital. O Mirada, pelo que pude constatar – vendo apenas a pontinha do iceberg -, tem compromisso com a resistência. E não há de ser apoiando os Bolsonaros que vamos construir um mundo melhor.