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Mirada (1)/O infantil para todas as idades, Euria, ou a chuva sobre nosso amor, nossas perdas

Luiz Carlos Merten

16 Setembro 2018 | 10h10

Estava com vontade de ir a Santos para o Mirada, mas me faltava estímulo. Dib Carneiro foi convidado pela organização para ver um infantil no sábado – ontem – à tarde. Eu me escalei e fui com ele. Encontramos João Wady Cury. Compartilhamos o mesmo carro na volta, saindo de lá à 0h30 deste domingo. Foi uma viagem muito divertida, contando e ouvindo ‘causos’ com o nosso motorista, o Leandro. Foi minha estreia no Mirada, Festival Íbero-americano de Artes Cênicas, que encerrou ontem sua quinta edição. O evento é uma realização do Sesc – bravo, Danilo Santos de Miranda -, tendo apresentado, de 5 a 15, a produção cultural de 13 países. A Colômbia foi a homenageada desta edição. Assistimos a três montagens. A melhor talvez tenha sido a infantil, que vimos no Teatro Guarany, e o espaço me encantou. Fiquei me perguntando se era mesmo infantil, porque Lluvia/Chuva, contando a história de um homem que conserta um guarda-chuva quebrado, lida de forma pungente com a dor da perda. A morte. Dança, pantomima, projeções, a técnica é irrepreensível e os três atores, um homem e duas mulheres, dão um show de sincronicidade, prescindindo das palavras para se comunicar. Impossível não vislumbrar ecos de Charles Chaplin, Carlitos. De Jacques Tati, M. Hulot. Infantil? A melhor prova de que o espetáculo se comunica com as crianças é que, na nossa frente, sentou-se uma jovem mamãe com a filha no colo e a garotinha, que devia ter uns 2 anos, vibrava com um entusiasmo realmente arrebatador. Lluvia/Euria passou no Mirada sob a bandeira da Espanha. É belíssimo, sob medida para que Dib Carneiro nos atirasse na cara, de João Wady e eu, que pecinha é a vovozinha, nome de seu site de teatro infantil, que já virou referência pela seriedade e competência, mas corre o risco de morrer à míngua por falta de patrocínio. Alô-alô, cambada… Ninguém leva a sério a política de formação de público? Vão deixar a vovozinha ir-se? E a luz no fim do túnel? Gostei muito de ter conhecido a companhia Markeliñe, que, pela amostra, é realmente excepcional. Para não misturar as coisas, esse será o primeiro de três posts dedicados ao Mirada, cada um abordando um espetáculo que vimos ontem.