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Minhas travessias, do mainstream às kebradas

Luiz Carlos Merten

23 de março de 2014 | 12h03

Meu último post anterior foi do Rio, dando conta de que Russell Crowe só havia visto a cidade da janela do quarto de hotel. Na sexta pela manhã, antes da coletiva – e, por isso, ela atrasou -. ele sacou da bike que trouxe na bagagem e foi, acompanhado de um segurança, pedalando pela orla e, depois, aventurando-se no tráfego, até as Paineiras, de onde sai o trem para o Cristo Redentor. Gostou do que viu, achou a cidade linda – mas também caótica. O Rio virou um imenso canteiro de obras. Ficará assim até a Olimpíada, em 2016? Teve hoje que achou o astro de Gladiador antipático. Para sua fama de turrão, achei-o singularmente light, em paz consigo me não aceitando provocações. Disse que tem o DNA do cinema no sangue e, depois, explicou melhor na individual, para explicar o prazer que teve ao dirigir. Achava que tinha the best job in the world (o de ator), mas dirigir, o que acaba de fazer, é melhor. Como as entrevistas atrasaram e eu estava morrendo de fome na sexta, fui almoçar antes de fazer as matérias que tinha para o online e para as edições de sábado e domingo. A consequência foi que perdi meu voo de volta. Como tinha compromisso ontem de manhã em São Paulo e já havia gastado horrores na remarcação da ida – você pode até comprar uma passagem barata, mas se tiver de trocar vai ter de pagar quase o preço do avião -, resolvi voltar de ônibus. Ia dormir., mesmo… Ontem fui para o meu compromisso – rever O Pequeno Fugitivo, que vai integrar a Ciranda, uma programação especial de PatrÍcia Durães, de 31 de março a 3 de abril, no Cine Livraria Cultura. Continuei amando o filme de Morris Engel, Ray Ashley e Ruth Orkin. François Truffaut bebeu na sua fonte – o filme é de 1953 – para realizar, seis anos mais tarde, seu clássico Os Incompreendidos/Les Quatre-Cents Coups. Jean-Luc Godard dizia que toda ficção é um documentário sobre seu tempo, e se há um filme que se enquadra na definição é The Little Fugitive. Depois da exibição especial na Ciranda, o filme vai estrear só em julho, depois da Copa. O garoto Richie Ambrusco é maravilhoso. Como muitos garotos (todos?) daquela época, cria-se dentro da cultura do western. Chama-se Joey, como Brandon De Wilde em Shane/Os Brutos Também Amam, de George Stevens. Após o filme e o almoço, lembrei-me de que o Cine Olido, após o ciclo equatoriano, estaria exibindo o folhetim Twin Peaks. Só eu para fazer todas essas travessias… Saí do mainstream (Russell Crowe e seu Noé) para o independente (O Pequeno Fugitivo) e terminei no meio de um evento musical chamado Arte e Cultura das Kebradas. A voz da periferia – só olhando para os rappers e seu público, fazia mentalmente um documentário sobre a moda das ruas, os ritmos e comportamentos. E o linguajar – f…, tomar no c… Quando terminou o Kebradas, ouvi outro som, vindo do Anhangabaú – era outro evento, de hip-hop. Foi muita informação para processar, e à noite ainda fui ver o Genet de Sérgio Ferrara. Aguardem, o próximo poost.

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