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ETV, (Minhas) Memórias do grupo Opinião

Luiz Carlos Merten

11 de abril de 2019 | 09h57

Como bom mineiro, Paulo Thiago, ao apresentar ontem seu documentário Memórias do Grupo Opinião no Sesc 24 de Maio, citou Guimarães Rosa – A gente vive para lembrar que viveu. E Amir Labaki – os filmes que abrem o É Tudo Verdade são sempre como editoriais. Marcam uma tomada de posição. Mike Wallace Está Aqui abriu o ETV deste ano em São Paulo e o filme do Paulo abriu no Rio. A imprensa e a arte como formas de resistência à nova (nova?) barbárie. O show Opinião trouxe a favela e o sertão para a Zona Sul por meio do casamento artístico entre Zé Kéti, João do Vale e Nara Leão. O show era uma realização do Grupo Opinião. ‘Podem me prender podem me bater/Que eu não mudo de opinião…’ A produtora Gláucia Camargos contou que o trabalho de pesquisa, o garimpo da iconografia, tomou um ano. Imagens de Nara foram conseguidas na Alemanha, e um material dirigido sabe por quem, perguntou o Paulo? Por Pierre Kast. Quem é, ou foi Pierre Kast, deve estar se perguntando o leitor jovem? Com a palavra, Jean Tulard, no Dicionário de Cinema. ‘Crítico de cinema, assistente de Grémillon e Clément, foi também romancista, roteirista e um brilhante realizador de curtas. Seus documentários sdobre Ledoux er Le Corbusier tornaram-se clássicos, mas não foi bem sucedido no longa.” Pierre Kast amava o Brasil. Filmou aqui A Nudez de Alexandra, contando duas histórias paralelas de amor, uma no Brasil colonial, outra no país moderno. “Nunca teve sorte”, acrescentas Tulard – “Morreu no mesmo dia de François Truffaut e sua morte foi eclipsada pelo amigo.” Desviei-me do tema do post, mas essa má sorte de Kast e de Jacques Doniol-Valcroze, outro originário da nouvelle vague, sempre mexeu comigo. Enfim, Memórias do Grupo Opinião conta, com material de arquivo e por meio de entrevistas, a história de artistas que se uniram para resistir ao golpe de 1964. Emergem algumas figuras – Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha. Maria Bethânia, cantando Carcará (Pega, mata e come!), Nara. Até chorei, porque por mais distante que estivesse do Rio, em Porto Alegre, aquela também era minha história. Tem horas que sinto como se minha vida estivesse desmoronando. O Brasil que eu sonhava, a própria vida, Acordei um dia e o País, o mundo ao meu redor, tudo mudou. O filme do Paulo Thiago me lançou nessa viagem que foi muito interior. Há que seguir vivendo, para lembrar que vivi.

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