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Minhas lembranças (e a dura vida como dono de casa)

Luiz Carlos Merten

18 de abril de 2020 | 14h25

Acrescentei mais alguns títulos aos meus clássicos do dia – Todas as Mulheres do Mundo, Alexandre Nevski. Domingos Oliveira rompe a quarta parede, Leila Diniz olha para a câmera, ao som daquela frase musical de Gabriel Fauré. A batalha do gelo de Eisenstein, a trilha de outro Serguei, o Prokofiev. Essas viagens ao passado, a emoções e lembranças cujos fios vou desenrolando, me deram vontade de retornar ao livro com a seleção de minhas críticas no tempo em que vivia em Porto Alegre, editado pela prefeitura da cidade em parceria com a Unisc, a Universidade de Santa Cruz do Sul, A Paixão do Cinema. Na época – o livro saiu em 2004 -, não participei da seleção (não quis, dei carta branca), mas pedi que fossem incluídos textos que hoje tenderia a renegar, sobre autores que reavaliei. Já falei mal demais de Glauber Rocha, bem demais de Frsnçois Truffaut. Não tenho a menor intenção de passar uma borracha sobre meus erros passados. Emocionei-me com uma frase na orelha escrita pelo professor Ruy Carlos Ostermann, chefe de redação da Folha da Manhã, dizendo que eu sempre redigi meus textos “como quem sabe que a simplicidade é a cortesia de quem diz”. Deus, que isso é bonito! Eu! Reli alguns textos – sobre Missing/Desaparecido, de Costa-Gavras. A Batalha de Argel, de Gillo Pontecorvo. Três Irmãos, de Francesco Rosi, Kaos, dos Irmãos Taviani. O Mal da Lua, o Colóquio com a Mãe. O próprio Pirandello/Omero Antonutti ouve da velha senhora que, para viver, é preciso aprender a ver o mundo com os olhos dos que não podem mais ver, com o pensamento dos que não podem mais pensar. Não pude deixar de pensar em Kirk Douglas e Edward G. Robinson, revendo os próprios filmes em A Cidade dos Desiludidos, de Vincente Minnelli – “Como já fomos bons!” Eram outros tempos da minha vida, o mundo era outro. Li com distanciamento, como se quem tivesse escrito não fosse eu, tentando identificar o sonhador que fui. Sigo antenado, vendo filmes na TV paga, aderindo aos vimeos, por conta de entrevistas que aceitei fazer, a próxima com Chris Hemsworth, o Thor. Em algum momento anterior, falei do Hobbit, A Desolação de Smaug, e da emoção que me provocava o romance condenado de Tauriel e Kili. Nem tive tempo de postar que, na terça, parei tudo para (re)ver A Batalha dos Sete Exércitos. O que são aquelas cenas de ação? A troca final de olhares entre Tauriel e Kili? A Pietà, quando a elfa aninha nos braços o corpo do anão morto? Para quem vive sozinho, como eu, o isolamento pode ser duro, mas o cinema e o trabalho ajudam. Difícil, para mim, tem sido a atividade como dono de casa. Mesmo com delivery no café da manhã, no almoço e na janta, não aguento mais lavar louca, colocar roupa para secar, passar pano com desinfetante no chão, limpar banheiro.Socorro!

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