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Minhas conversas com Rodrigo Santoro, Leticia Sabatella e Sebastián Lelio

Luiz Carlos Merten

01 de abril de 2019 | 09h06

Tenho feito entrevistas muito interessantes, de filmes que já (ou ainda) estão em cartaz, mas não tenho conseguido emplacar no Caderno 2. Conversei pelo telefone com Sebastián Lelio, que se encantou ao saber que, em janeiro, assisti à retrospectiva de seus filmes no Centro Cultural La Moneda, em Santiago, e estava presente no debate dele com o público, no final do evento. Por que refilmar Glória? Falamos em espanhol, mas a essa pergunta, especificamente, ele reagiu com um ‘Why not?’ Por que não? Quando soube que Julianne Moore estava interessada, e já estava na parada, topou na hora, pelo prazer de trabalhar com a grande atriz. O roteiro de Gloria Bell é praticamente o mesmo da sua versão chilena, a original, apenas adaptado para abrigar suas observações sobre as cenas da vida americana. Conversei também com Rodrigo Santoro e com os irmãos cubanos, Rodrigo e Sebastián Barriuso, que dirigem O Tradutor, baseados na história dos pais deles. Rodrigo, o Santoro, havia perdido um grande amigo, virara pai. Isso lhe deu outro olhar sobre o personagem, que tem de tratar com todas aquelas crianças que estão morrendo de câncer por haver sido expostas à contaminação atômica de Chernobyl. Rodrigo me falou de seu retorno a Cuba, após o Che. Encontrou a ilha revolucionada pela internet e, dessa vez, como a equipe era toda cubana, sente que esteve mais perto do ‘povo’, compartilhando alegrias, tristezas, expectativas. Como pai, ele admite que se sente cada vez mais inseguro com o Brasil – quem não? E ainda houve Letícia Sabatella, com quem falei (ela e o diretor Eduardo Albergaria), por Happy Hour. Leticia faz uma política confrontada com a crise de seu casamento. O marido pede licença para cometer adultério. Casamento aberto? Entre as mentiras e trapaças de lá e cá o diretor encara a (grande) hipocrisia brasileira. Bem interessante. A Frase inicial é sábia – depois que as coisas acontecem, a gente percebe as evidências que passavam despercebidas. Então, era isso? E Leticia contou como Albergaria chegou até ela. Leticia tem casas no Rio e em Curitiba. Estava chegando ao apê na capital paranaense, havia uma manifestação e, ao ser identificada, ela foi agredida com gritos de ‘p… do PT’. Não revidou, mas gravou tudo com o celular e colocou nas redes sociais. O diretor viu e impressionou-se com seu autocontrole. Albergaria define Happy Hour como seu ‘conto moral’. Lembra um Eric Rhomer (dos maiores), Minha Noite com Ela. Jean-Louis Trintignant resiste às investidas de Maude, a divina Françoise Fabian. É casado, e enquanto isso a mulher o está traindo. Qualquer espectador percebe que Leticia vai dar o troco em Happy Hopur. A pergunta que não quer calar – com quem ela vai para a cama? Talvez não fique muito claro, eu acho que foi com o… Olha o spoiler. De qualquer maneira, daria uma enquete divertida nas internet. E ainda tem o amigo do marido argentino, a quem cabe a piada (o toque?) final da f´sabula de Albergaria. Bem legal.

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