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Minha verdadeira história da humanidade

Luiz Carlos Merten

24 de setembro de 2020 | 23h40

Com as cabines do É Tudo Verdade pela manhã e à tarde e a noite ocupada com o Festival de Gramado no Canal Brasil, meus dias têm sido bem intensos. Todo dia tenho matérias no jornal, mais a físio. Não tem sobrado tempo para o blog – estou postando porque nesta quinta, excepcionalmente, houve só o longa de Camilo Cavalcanti, King Kong em Assunção, após a sessão de curtas. Recapitulando, assisti ontem, quarta, ao documentário de Joana Mariani sobre Sidney Magal, Me Chama Que Eu Vou, e o chileno Los Fuertes, de Omar Zuñiga Hidalgo. Esse Magal não é mole. Entrevistei-o há dois ou três anos no lobby do Hotel Maksoud e a entrevista foi interrompida muitas vezes – perdi a conta – por engravatados que queriam cumprimentá-lo. Brega, cafona. Esse cara já foi chamado de tudo, mas tem uma energia – uma vitalidade – que só posso definir como contagiante. Talvez seja coisa só minha, mas no meu inconsciente Sidney Magalhães, o Magal, é o ‘nosso’ John Travolta. Como o astro norte-americano, ele se reinventou muitas vezes, ressurgiu das próprias cinzas e ainda tem a vantagem de não ser da Cientologia. Confesso que vi o filme da Joana com prazer. Não duvido que ganhe o prêmio do público. O chileno aborda um relacionamento gay, homofobia, homens e mulheres solitários, desgarrados. Tem ousadas cenas de sexo, é bom, mas não tem transcendência. É só aquilo. Os caras se sentem atraídos, se pegam. No final, olha o spoiler, o que mais apostou na ligação… Não vou contar, vejam. Acho importante destacar que o filme do Zuñiga Hidaldo é produzido por Dominga Sotomayor, de Tarde (Demais) para Morrer Jovem. Havia visto o Todos os Mortos, de Marco Dutra e Caetano Gotardo, em Berlim. De tudo o que vi na competição brasileira, gostei mais – gostei muito – do Camilo Cavalcanti. Isso talvez surpreenda muita gente, talvez surpreenda o próprio Camilo, pois não havia gostado de A História da Humanidade – quer dizer, acho o início do filme maravilhoso, um plano de antologia, mas quando os conflitos começam a se desenhar, por favor. Já o King Kong é possuído por Andrade Jr. Que ator extraordinário era esse cara. O matador escondido na Bolívia larga a vida de crimes para ir ao encontro da filha em Assunção. Como Travis, de Paris, Texas, esse homem emerge do deserto. Sai do deserto, mas o deserto não sai de dentro dele. Fiquei chapado.

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