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Minha Itália hollywoodiana

Luiz Carlos Merten

09 de setembro de 2020 | 18h26

Havia me programado para rever Jasão e os Astronautas à tarde, mas estava olhasndo o noticioário – o Hoje -quando descobri que a Globo havia programado para hoje Cartas a Julieta. Sinto muito se vou decepcionar quem quer que seja, mas são dois filmes que não resisto a rever sempre. Cartas a Julieta e Sob o Sol da Toscana. A Itália pelo filtro de Hollywood. Amanda Seyfried vai a Verona com o noivo, Gael García Bernal, mas ele está mais preocupado em fazer um curso de chef. Ela, como aspirante a escritora, arranja um bico para responder cartas que mulheres apaixonadas de todo o mundo enviam ao solar de Julieta, a do Romeu. Amanda responde a carta que uma garota enviou há 50 anos. Agora é Vanessa Redgrave. Nunca é tarde para amar – Amanda parte com Vanessa e o neto dela (Christopher Egan) em busca do cara, que se chama Lorenzo. Atravessam a paisagem italiana – sempre foi meu sonho viajar de carro pela Toscana. Quem me manda não dirigir? Vou pedir como presente de aniversário – no sábado – à espera de que algum anjo realize meu desejo. Quem sabe? Em primeiro lugar, agora que viramos, nós os brasileiros, párias, teremos de ser aceitos lá fora. Na ficção de Gary Winick, Vanessa reencontra o antigo amor, e ele é Franco Nero, com quem ela se casou em 2006 (mas vivem juntos desde 1967). O eterno Django entra a cavalo na história, numa homenagem que acho muito bonita. Em Sob o Sol da Toscana, de Audrey Wells, Diane Lane descobre que o marido é infiel e ganha das amigas, como presente para se reanimar, uma viagem à Italiana. Descobre uma villa aos pedaços e a compra, para reconstruir. Entra em cena Raul Bova, como pedreiro. A casa como metáfora da reconstrução interior de Diane. E o desfecho com Mario Monicelli como ator. Tive minhas experiências com Monicelli quando ia ao Festival de Veneza. Era muito grosseiro com jornalistas. Chamava-nos de parasitas. A par dos grandes filmes que fez, interpreta no filme da Audrey Wells um velho irascível (como ele). Abre-se num sorriso, que é o fecho, e dá sentido, ao filme. Acho aquele final uma homenasgem tão bonita quanto a de Gary Winick a Franco Nero. Me toca mais que Nero no saloon de Quentin Tarantino em Django Livre.

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