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Minha ‘conversão’ a Rossellini

Luiz Carlos Merten

17 de outubro de 2014 | 22h58

BELO HORIZONTE – Cá estou. Cheguei no fim da manhã, fugindo da Mostra de São Paulo para prestigiar, na Mostra CineBH, duas das três masterclasses de Tag Gallagher. Confesso que tive uma epifania. Já conhecia Gallagher como autor, por seus livros seminais sobre Roberto Rossellini e John Ford. The Adventures of Roberto Rossellini e John Ford – His Life and Films. Gallagher é uma figura. Parece um pós-hippie, como se tivesse perdido o trem de Woodstock e aportado em Minas sem escala, quase meio século depois. Tenho de fazer mea-culpa. A vida toda, e aqui no blog, sempre escrevi que o ‘meu’ Rossellini era De Crápula a Herói/Il Generale della Rovere, com a melhor interpretação de Vittorio De Sica. Revi hoje Viagem à Itália e surtei. Nunca senti tanto antes a ‘emoção’ do filme. Pedro Butcher fez a mediação, no fim do filme. Mas antes passaram os dois video-ensaios de Gallagher sobre Rossellini. Os filmes de guerra (Roma Cidade Aberta, Paisà e Alemanha, Ano Zero) e a ligação com Ingrid Bergman, sob o título Os Vivos e os Mortos. Viagem na Itália, Europa 51, O Medo etc. Lembro-me que Jean-Luc Godard  escreveu certa vez que a crítica ideal teria de ser filmada. Gallagher desvenda o mistério de Rossellini fazendo filmes no estilo de Roberto. Uma citação de Eric Rohmer, dizendo que Viagem na Itália foi a sua conversão, o seu Caminho de Damasco. Senti-me assim, ‘convertido’ ao culto de Rossellini. Tudo é movimento em seu cinema. Ele olha o homem (e a mulher) ao microscópio. A morte prematura de seu filho Romano impulsionou-o a fazer Alemanha, Ano Zero. O cinema de Rossellini busca um renascimento, da arte como da humanidade. Ele reabilita a Itália derrotada na 2.ª Guerra e a morte de Romano faz de uma solidão visceral, radical o tema da fase Ingrid Bergman. Amei. E amanhã, a segunda masterclass será sobre John Ford, com a projeção de Sangue de Herói/Forte Apache. Gostei tanto que ficaria para a terceira masterclass, na segunda-feira, sobre Max Ophuls, Carta de Uma Desconhecida, mas quatro dias longe da Mostra são demais. Dois apenas, hoje e amanhã. Volto cedo, no domingo. Hoje, já fiz um monte de matérias. O documentário sobre a blogueira Yoani Sánchez, o foco Espanha (sobre os filmes de Luis Buñuel e Pedro Almodóvar). E hoje ainda teve aqui, depois de O Assombro, do ‘homenageado’ Santiago Loza, o deslumbrante Joaquim Pinto, E Agora? Lembra-me… O cinema é, realmente, uma coisa maravilhosa.

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