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Militância

Luiz Carlos Merten

21 de janeiro de 2014 | 09h09

Estou achando muito interessante o envolvimento de artistas negros no movimento de recontar a história da luta por direitos civis nos EUA. Não só os negros – Leonardo Di Caprio foi fundamental no processo para que Quentin Tarantino fizesse Django Livre e Brad Pitt coproduziu o longa de Steve McQueen, 12 Anos de Escravidão. Pitt e Oprah Winfrey vão produzir Selma, sobre um episódio particularmente dramático das lutas dos anos 1960. David Oyelowo, com quem Oprah contracena em O Mordomo da Casa Branca, vai fazer Martin Luther King Jr. Pergunto-me até que ponto o fato de haver um presidente negro na Casa Branca estimula esse revisionismo histórico. E, de qualquer maneira, acho muito bacana o envolvimento de todos esses artistas. Forest Whitaker e Octavia Spencer produzem Fruitvale Station, que vi no outro dia, sobre o assassinato de um jovem negro por policiais brancos na saída do metrô em São Francisco, na passagem do Ano Novo. O fato foi amplamente documentado por passageiros que gravaram tudo com seus celulares e jogaram as imagens na internet. O filme é bem forte. Tem sido um longo caminho, esse da luta antirracista na produção de Hollywood. Penso sempre em Martin Ritt, de Um Homem Tem Três Metros de Altura, A Grande Esperança Branca e Sounder/Lágrimas de Esperança. Imagino que ele daria todo seu apoio aos diretores de todos esses filmes, que, a par de seu engajamento, são bons, e isso é essencial.

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