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Miguel Gomes?

Luiz Carlos Merten

24 de agosto de 2015 | 09h37

RIO –  Vou cometer uma pequena indiscrição. Almoçamos, na semana passada, Ubiratan Brasil e eu, com Renata Almeida e Margarida Oliveira. O tema, a Mostra de São Paulo. Ainda não estou liberado para reproduzir nossa conversa, mas uma ‘palhinha’, vai, Renata… A Mostra vai trazer As Mil e Uma Noites de Miguel Gomes. Espero que traga também os Contos Italianos dos irmãos Taviani, que eles adaptaram de Boccaccio, e eu nem sabia que estavam fazendo o filme. Por volta de 1970, Pier Paolo Pasolini fez sua trilogia da vida e, entre Boccaccio, o Decameron, e As Mil e Uma Noites, adaptou também Chaucer, Os Contos de Canterbury. Às vésperas de mais um Festival de Veneza, tenho pensado muito em Cannes, no festival deste ano. E cada vez penso mais que a globalização está tomando conta dos grandes festivais e ditando as cartas das seleções. O europuding, como diz Cahiers du Cinéma. Tirando Nanni Moretti, Mia Madre, os italianos representaram este ano o pior do europudding. Mateo Garrone, Tale of Tales, e Paolo Sorrentino, Youth. O horror, o horror. E eu que gostava de Sorrentino… O que sobrou do festival, três ou quatro meses depois? Hou Hsiao-hsien, A Assassina, Apichatpong Weerasethakul, Cemetery of Splendour. Miguel Gomes, especialmente o segundo episódio da trilogia, O Desolado. Os japoneses – Kiyoshi Kurosawa, Vers l’Autre Rive, o título francês; Naomi Kawase, An; e Hirokazu Kore-eda, Nossa Pequena Irmã. Não estou muito seguro de que O Filho de Saul, do húngaro Laszlo Nemes, resista à impressão inicial. E creio que dificilmente mudarei de opinião sobre Mountains May Depart, que me pareceu o pior Jia Zhang-ke. Os coleguinhas brasileiros amaram os Pet Shop Boys do começo e do fim, Go West! Eu achei uma facilidade e, para refletir sobre os efeitos da globalização na China, preferia que Jia tivesse ficado com o seu Touch of Sin, ou The World. Quantos desses filmes veremos no Festival do Rio? Na Mostra de São Paulo? Setembro e outubro estão chegando. E, com esses meses, nossos mega-eventos de cinema.

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