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Michael Mann, seus dias (em Hollywood) estão numerados?

Luiz Carlos Merten

17 de junho de 2015 | 20h04

LOS ANGELES – Incluindo cinema e TV, Michael Mann tem 19 créditos como diretor. Seis são grandes filmes, eu diria obras-primas. Foram feitas em sequência – Fogo contra Fogo, O Informante, Ali, Colateral, Miami Vice e Inimigos Públicos. Todo mundo fala do uso da tecnologia digital por David Fincher. Existem livros sobre isso, e eu aprovo/apoio, porque é outro diretor (autor?) que admiro muito, mas Michael Mann? Compêndios poderiam ser escritos só sobre Miami Vice e Inimigos Públicos, sobre a técnica e a política desses filmes, mas tem agora o Hacker. O filme não foi bem nos EUA, e isso basta para que, no quintal – o mercado brasileiro -, vá diretamente para DVD e TV. Logo na abertura, há um acidente (provocado) numa usina nuclear. Hemsworth, o Thor, é tirado da cadeia para investigar. Descobre um complô. O terrorismo não é político, mas econômico. Os personagens vão morrendo ao redor. Ele persiste, ajudado pela garota chinesa que também se movimenta nesse mundo de hackers. As amantes chinesas de Michael Mann. Gong Li em Miami Vice e agora Tang Wei em O Hacker. Numa cena, no auge do perigo para a dupla, Hemsworth olha para ela meio de lado e vê a curva do pescoço da parceira. Havia um plano similar em Miami Vice, de Colin Farrell com Gong Li. É de uma beleza de cortar o fôlego. Não sou louco de dizer que O Hacker é tão bom quanto os filmes precedentes de Michael Mann porque não é. Muita coisa me pareceu reaproveitamento de ideias de Colateral e Miami Vice, aplicadas a um tema da maior atualidade, que é a segurança cibernética. É uma pena que ninguém faça as entrevistas com as perguntas que gostaria de fazer. Nunca entrevistei Michael Mann para saber se ele foi influenciado pelos personagens sofistas de O Assassino e Os Dias Estão Numerados, de Elio Petri, ou se essa é uma viagem minha (especialmente em Colateral). Arrisco que Mann tenha apostado num tema pop (cibernética) para tentar se recuperar do insucesso de Inimigos Públicos – que não foi um estouro de público, mas era excepcional, e isso alguns críticos reconheceram. Não deu certo e, com dois revezes, seus dias podem estar numerados (não resisto o trocadilho) em Hollywood. Apesar da bilheteria, Hacker é muito bom e tem cenas que me deixaram eletrizado – pela intensidade da ação, pela voltagem erótica.