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Meus 25

Luiz Carlos Merten

05 de dezembro de 2015 | 00h48

Estava em BH e Geraldo Veloso disse que eu estava em boa companhia ao rejeitar o tal Limite. Na Revisão Crítica do Cinema Brasileiro, Glauber destroça o filme, mas admite que não o viu. Não vi e não gostei. Eu vi, umas quantas vezes, tentando gostar, e não gostei. O mais curioso de Limite é que cada um vê o que quer, e o que eu vejo com certeza não é o que os outros veem, pelo menos nos textos que conheço. Mas por que estou exumando o ‘clássico’ de Mário Peixoto? Jantamos, Dib Carneiro e eu, com Orlando Margarido após a votação de melhores do ano da APCA, e o assunto caiu numa tal lista de melhores filmes brasileiros de todos os tempos, organizada pela Abracine. Orlando me disse que deu Limite na cabeça e eu só aceito se Mar de Fogo, de Joel Pizzini, tiver sido o segundo, porque o curta de Joel, dando a palavra ao próprio Mário Peixoto, revela o filme melhor que qualquer análise, mas eu tenho a impressão de que os tietes não gostarão se eu disser que, no limite – com o perdão do trocadilho -, o curta dá de dez no longa. Ah, a mitificação burguesa. Meu ‘amigo’ Glauber tinha razão – é provocação, claro -, mas me dou tão bem e gosto tanto de Paula Gaetán e Eryk Rocha, além, de admirá-los como grandes artistas que são, que tenho sempre essa impressão de que me daria bem com o ‘profeta’ do Cinema Novo. E agora penso – em que filmes teria votado, caso tivesse participado da seleção dos 25 mais? Assim como Rocco está no meu panteão, meu número um, brasileiro, é Selva Trágica, de Roberto Farias, mas eu ficaria muito surpreso – ficarei – se o filme tiver entrado na lista. Sem pensar muito, e sujeitos a mudanças de lugares, votaria em São Bernardo, Vidas Secas, Viramundo, Deus e o Diabo, Terra em Transe, Os Fuzis, Noite Vazia, Bicho de Sete Cabeças, Ganga Bruta, Chuvas de Verão, Fome de Amor, Memórias do Cárcere, Marília e Marina, São Paulo S.A., Edifício Master, Santiago, Tudo Azul, Ilha das Flores, Assalto ao Trem Pagador, O Padre e a Moça, Os Inconfidentes, Todas as Mulheres do Mundo, O Pagador de Promessas e Vida Provisória. Pronto. Fechei 25, mas ficaram faltando Iracema – Uma Transa Amazônica, Rainha Diaba, A Lira do Delírio, Toda Nudez Será Castigada, O Bandido da Luz Vermelha, Pixote, Cidade de Deus, Central do Brasil, Coronel Delmiro Gouveia, Matou a Família (a versão de Júlio Bressane)… Meus 25 viraram 35. Aleluia! É bem melhor que ficar nos 10, ou 15, sem estímulo para seguir adiante.

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