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‘Meu’ Rod Taylor é o de Quine e Gordon Douglas

Luiz Carlos Merten

11 Janeiro 2015 | 14h04

Rod Taylor morreu na quarta-feira passada, dia 7, em Los Angeles, aos 84 anos. Embora tenha nascido em Sidney, na Austrália, foi na ‘América’ que fez carreira. Interpretou pequenos papeis em Assim Caminha a Humanidade/Giant e A Árvore da Vida, ambos com Elizabeth Taylor, e seu nome apareceu no cartaz de mais um filme por ela estrelado – Gente Muito Importante/The V.I.P.s, em 1963 (ou 64). Rod Taylor deu uma guinada importante em sua carreira em 1963, quando Alfred Hitchcock fez dele o Mitch de Os Pássaros. O filme é o episódio intermediário da trilogia edipiana do mestre do suspense – situa-se entre Psicose e Marnie, As Confissões de Uma Ladra. Em Psicose, Norman Bates/Anthony Perkins mata a própria mãe. Em Os Pássaros, Hitchcock, antecipando-se a Xavier Dolan, filma a revanche da mãe e Jessica Tandy destroi, metaforicamente, as mulheres que ousam disputar com ela o amor de seu filho, mas aí os pássaros se rebelam e tudo muda em Bodega Bay. Em Marnie, Hitchcock converte Édipo em Electra e conta a história de um (uma) Norman Bates curável. Rod Taylor nunca foi um ‘astro’, mas tem uma carreira mais do que estimável. Fez a primeira versão de A Máquina do Tempo, de George Pal, em 1960, foi o dramaturgo Sean O’Casey de O Rebelde Sonhador, que John Ford iniciou, mas quem concluiu o filme foi Jack Cardiff, em 1965. Sempre tive um imenso carinho pelo Young Cassidy, que fez história como primeiro dramaturgo da Irlanda a escrever sobre as classes trabalhadoras, e o filme tem a jovem Julie Christie, que está linda, mas os meus preferidos de Rod Taylor são dois trabalhos que ele fez no mesmo ano, 1967. O western Chuka, de Gordon Douglas, que no Brasil se chamou O Revólver de Um Desconhecido, e o drama Hotel de Luxo, que Richard Quine adaptou do best seller de Arthur Hailey, o autor de Aeroporto. Hotel de Luxo é nada, mas naquele hotel o diretor, e Quine era um grande diretor, faz uma súmula do capitalismo. Tem todo um sistema operacional funcionando e todos aqueles personagens que gravitam em torno do dinheiro – o milionário, a p…, o ladrão. Hotel de Luxo é um daqueles filmes que sumiram, mas volta e meia me lembro dele e de Rod Taylor, Catherine Spaak, Karl Malden, Merle Oberon. Hollywood continua produzindo grandes filmes, em meio a muito lixo e baboseira, mas é a excelência de filmes médios, como aquele, que me permite avaliar quanto foi perdido. Rod Taylor estrelou o primeiro Os Mercenários, de 1968, de Jack Cardiff, também com Jim Brown e Yvette Mimieux, que não tem muito (ou nada) a ver com a série de Stallone. Teve uma sobrevida na TV, nos anos anos 1980 e 90, com a série Falcon’s Crest. Não sei de vocês, mas eu gostava de Rod Taylor e seu sorriso franco, mesmo que, às vezes, os personagens fossem vacilantes como em Os Pássaros.