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Meu adeus ao Urbim

Luiz Carlos Merten

14 de fevereiro de 2015 | 07h19

BERLIM – Mantenho a procedência, porque estou redigindo daqui, mas esse não será um post sobre a Berlinale. Liguei ontem para meu amigo Dib Carneiro para ver como andavam os preparativos – ele desfila hoje na Vai-Vai com nossas amigas Leila Reis e Arlete Salvador, no enredo que homenageia Elis Regina – e o Dib me contou que outro amigo querido, Vilmar Ledesma, gostou muito do post sobre 50 Tons de Cinza e acrescentou que Vilmar o informara de que havia morrido um amigo nosso de Porto Alegre. Carlos Marino Urbim! Ele foi meu colega na Folha da Manhã e editor no Diário do Sul. Casado com a jornalista Alice Urbim, tiveram dois filhos, e um deles foi colega da Lúcia na escolinha. Creio até que chegamos a participar de gincanas de pais, eu correndo com copo d’água e outros badulaques na mão, vejam só. Urbim nasceu em Santana do Livramento e adorava contar histórias para os guris. Profissionalizou a vocação e virou autor infantil, de livros como Patropi, a Pandorguinha e Uma Graça de Traça. Foram os que li, quando ainda estava em Porto, mas depois disso o Urbim aumentou muito sua bibliografia e nunca parou de escrever. Foi diretor da rádio da UFRGS, entrou para a Academia Rio-Grandense de Letras e foi patrono da Feira do Livro de Porto Alegre. Com o tempo, perdemos o contato – não sou de tuitar nem trocar e-mails, vocês sabem -, mas nas raras vezes em que nos encontrávamos a conversa era sempre retomada como se nós tivéssemos visto na véspera. Acho que a amizade é isso. Com a partida do Urbim, lembrei-me de outros amigos queridos que já se foram – Sérgio Moita, Sérgio Moita, Sérgio Moita. E de outros que aí estão, e com quem me sinto em dívida. O poeta Nei Duclós, que também foi colega de redação e que escreveu um livro de cinema sobre o qual não comentei nada. O livro de Nei chama-se Todo Filme É Sobre Cinema, e é uma coletânea de ensaios – sobre filmes, autores e gêneros -, na qual ele subverte o conceito da sétima arte e, na verdade, sustenta a ideia de que o cinema se basta e é voltado para si mesmo. Despedindo-me do Urbim, que se foi dois anos mais novo que eu – aos 67 -, assumo que vou ter de voltar ao livro do Nei. Prometo.

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