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Mercado de notícias

Luiz Carlos Merten

09 de abril de 2014 | 17h49

Fui pela manhã assistir a Júlio Sumiu e, na volta ao jornal, fiz a minha capa sobre Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, que estreia amanhã. Vocês sabem como gosto do longa de Daniel Ribeiro. Ponho fé de que o filme, que vai ser o maior lançamento da Vitrine, será um sucesso de público. E, além dos textos, fiz também entrevistas com Pedro Asbeg e Jorge Furtado. Ambos participam do É Tudo Verdade, o Pedro com Democracia em Preto e Branco, sobre a democracia corintiana e sua inserção no quadro da luta por redemocratização e liberdade de expressão no Brasil sob a ditadura, e o Jorge com  O Mercado de Notícias, que discute a imprensa com base num texto de Ben Jonson – sim, o dramaturgo elizabethano – do século 17. O filme do Pedro eu vi e gostei, o do Jorge vou ver hoje à noite na Livraria Cultura (às 21 horas). Não vou ter tempo de escrever textos maiores sobre ambos – agora, pelo menos, mas o Jorge me passou o link. Disse que há um site – www.omercadodenoticias.com.br – que não é só do filme, mas engloba suas pesquisas e um debate que sua montagem da peça propiciou. Ainda não vi o filme, como já disse, mas é curioso que, no post anterior, eu tenha falado no diálogo entre cinema e teatro na obra de Christiane Jathay. O Jorge montou a peça de Ben Jonson em Porto Alegre somente como ferramenta para debater a imprensa com jornalistas no documentário. A dita senhora tinha somente três anos – três! – quando Ben Johnson, que foi um arguto cronista de seu tempo, escreveu a peça criticando temas como compra de notícias, manipulação das informações etc etc. Já disse aqui no blog que a questão ética substituiu o patriotismo do tempo dos militares. Hoje, qualquer canalha enche o peito e assume atitudes moralizadoras ao invocar a ética – na política, na imprensa, no escambau. Lembrem-se de Catherine/Jeanne Moreau em Jules e Jim, de François Truffaut. ‘Sou uma mulher de moral duvidosa, porque duvido da moral dos outros.’ Outro dia peguei um táxi conduzido por um motorista que me assustou. Queria a volta dos militares, a Rota na rua matando, porque não aguenta mais tanta corrupção e descaso de autoridades. E aí acrescentou mais umas informações – é fã de Maluf, um grande homem, e deu pintas que apontam para as pequenas corrupções do cotidiano. Em síntese, me pareceu estar puto por não estar usufruindo das benesses. Misturei alhos com bugalhos, claro. Lá vou eu para o filme do meu conterrâneo.

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