As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Melhores

Luiz Carlos Merten

24 de dezembro de 2012 | 11h49

PORTO ALEGRE – Cah estou eu de volta, apos dias sem dar noticias. Havia iniciado outro post e ja estava adiantado quando caiu a bateria. Droga! Cheguei ontem a tarde a Porto. Viemos Lucia e eu para o aniversario da mae dela, a Doris – ontem -, ficamos hoje e regressamos amanha a Sao Paulo. Tanta coisa para postar. Minha lista de melhores do ano, que saiu no Caderno 2 de sexta, incluindo As Quatro Voltas, de Michelangelo Frammartino, que estreava naquele dia; a ausencia de O Palhaco e Infancia Clandestina na lista de pre-indicados para o Oscar de filme estrangeiro; a exposicao de Morandi no museu da Fundacao Ibere Camargo. O local eh, em si, uma obra de arte, com aquelas janelas que, das rampas, descortinam vistas de Porto Alegre. O Guaiba, a usina do Gasometro, o glorioso Beira-Rio. Vou iniciar lamentando a ausencia de O Palhaco no Oscar.  Nao que tenha me surpreendido. Me surpreendeu, mais, talvez, a ausencia do argentino, porque Infancia Clandestina possui muitos indicadores que a gente costuma dizer que agradam aos votantes da Academia – crianca, politica, mensagem humanitaria. Cada vez mais, os proprios indicadores contam cada vez menos no premio. Eh bom, significa que o Oscar estah nos surpreendendo. Mas a verdade eh que hah uma selecao forte – para o Oscar principal, o de melhor filme, tambem. Contava que, entre os pre-indicados estivessem Amor, de Michael Haneke; Os Intocaveis, da dupla Eric Toledano/Olivier Nakache; e o No, de Pablo Larrain. Estao todos, e o longa de Haneke, pela comocao que provocou na critica norteamericana e no proprio publico sofisticado de Nova York pode muito bem ganhar indicacoes para melhor diretor e ator, Jean-Louis Trintignant. Sobre a minha lista de melhores, havia estabelecido uma selecao de dez titulos que privilegiavam, na cabeca, o cinema frances. Os Intocaveis e O Artista, de Michel Hazanavicius. Ja estava quase publicando a lista quando vi que As Quatro Voltas estava estreando, e eu tambem queria o filme na lista. Dois franceses e um italiano. Resolvi colocar o terceiro frances, Holy Motors, de Leos Carax, uma porque gosta do filme – e ele me perturbou muito mais na revisao -, mas tambem para consolidar essa ideia de um ano do cinema frances no Brasil. Para incluir Holy Motors e As Quatro Voltas, retirei dois filmes que estavam desde o inicio no meu imaginario – Drive e Shame. O que nao ia retirar, de jeito nenhum, eram meus brasileiros – Sagrado Segredo e Febre do Rato – e tambem Cavalo de Guerra e O Hobbit. Eu mesmo me indago sobre minhas preferencias. Tudo bem que Sagrado Segredo e As Quatro Voltas possam se inscrever num mesmo movimento de cinema. Na verdade, isso eh soh aparencia porque Frammartino eh cria da antropologia de Roberto Rossellini e Andre Luiz de Oliveira, no fundo, estah muito mais proximo da invencao de Leos Carax. Nada mais diverso, portanto. Quanto a Cavalo de Guerra e O Hobbit… Ambos se inscrevem numa ideia muito forte que tenho, de que o filme mais espetacular pode ser tambem o mais intimista. Steven Spelberg reinventa John Ford, Peter Jackson tambem. Sua visao da Terra Media eh fordiana – o verde do campo de Innesfree. E os enigmas do Gollum me perturbam e fascinam. Seus olhos dissimulados sao um prodigio de criacao, justamente porque tem expressao (e como!). Sobre Morandi, falo mais tarde.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.