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Meias palavras

Luiz Carlos Merten

25 de novembro de 2015 | 09h45

Esses embargos começam a me cansar. Não se pode escrever sobre Os Oito Odiados antes da estreia do filme de Quentin Tarantino nos EUA. As críticas só estão liberadas a partir de 21 de dezembro. Da mesma forma fui ver ontem No Coração do Mar, de Ron Howard, sobre a história real que inspirou Herman Melville. Onde surge a baleia branca, Moby Dick. Também estou embargado até as 8 da noite do dia 2. Já escrevi mil vezes que tenho um carinho muito grande por ‘Ronny’. O garotinho de Vincente Minnelli (Papai Precisa Casar), o teen de George Lucas (Loucuras de Verão) e Don Siegel (O Último Pistoleiro). Sempre imagino, fantasia minha, que o jovem Howard, já querendo ser diretor, deve ter ‘alugado’ John Wayne e James Stewart, querendo ouvir histórias sobre a mítica parceria deles com John Ford. Rush – No Limite da Emoção, o longa anterior de Howard com Chris Hemsworth, já era O Homem Que Matou o Facínora sobre rodas. No Coração do Mar, com sua gênese de Melville, é Liberty Valance no Mar. Chris Hemsworth, deus nórdico que fugiu de algum Valhala, e Benjamin Walker, o jovem Abraham Lincoln caçador de vampiros, fazem Wayne e Stewart. Espero não estar furando o embargo, mas queria logo escrever sobre isso, ou dizendo isso. Ron Howard ganhou o Oscar por Uma Mente Brilhante e fez rios de dinheiro com O Código da Vinci e Anjos e Demônios. Além de tudo, é o pai de Bryce Dallas, a heroína ‘hawksiana’ de Jurassic World. Quando o entrevistei pela primeira vez, por Desaparecidas, ele já era um diretor bem sucedido, pelos padrões de Hollywood. Falamos de westerns, e de Ford e Anthony Mann. Ele sabia que o filme não iria bem – acho que no Brasil nem estreou nos cinemas -, mas disse que seu produtor podia perder um pouco de dinheiro (ele já lhe dera tanto…) pelo prazer de fazer, para seu gosto pessoal, o filme que queria. Não sou louco de ‘defender’ O Código nem Anjos e Demônios – tudo tem limite -, mas confesso que são o que se chama de ‘guilty pleasures’. Se estou zapeando na TV paga e estão passando, paro e vejo até o fim. O albino de Paul Bettany é genial e a economia com que Howard condensa sua história num curtíssimo flash-back me deixa sempre pasmo. Howard é um diretor profissional. Às vezes, é um grande diretor e um artista. isso ocorre quase sempre que trabalha com filmes de gênero. Desaparecidas, Rush e agora No Coração do Mar. Pronto. Espero não ter infringido o embargo, mas queria logo dizer quanto gostei do filme. Meus motivos, explico depois.

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