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Mariska Hargitay e o sentimento de compaixão

Luiz Carlos Merten

26 de agosto de 2018 | 13h23

Quem me acompanha nesse blog sabe dos meus voos de imaginação. Vamos voar. Mariska Hargitay. Começo por onde, pela mãe dela? Jayne Mansfield foi um mito sexual dos anos 1960, conhecida pelos seios tão volumosos que dela se dizia que podia tomar banho sem molhar os pés. Jayne costuma ser com frequência comparada a Marilyn Monroe, embora não tenha nada a ver. Como Marilyn, porém, teve o seu Billy Wilder. O dela foi Frank Tashlin, com quem fez duas ótimas comédias – Sabes o Que Quero e Em Busca de Um Homem,. dois títulos que, curiosamente, não deixam de se completar. Embora ridicularizada como atriz, Jayne ganhou um Globo de Ouro no começo da carreira – como melhor promessa, algo assim. Fez história como primeira mulher a aparecer nua numa produção A de Hollywood – Promisses, Promisses, de 1963 -, mas se o início foi promissor, o fim de carreira, na Europa, foi marcado por produções vulgares que só exploravam o famoso busto. Jayne foi casada com um astro do fisiculturismo, o Mister Universo Mike Hargitay. Com ele teve três filhos, incluindo Mariska, que, em húngaro, é a simplificação de Maria Madalena. Mariska estava no banco de trás quando a mãe morreu num acidente de carro. Consta que foi jogada do veículo e guarda a cicatriz na cabeça. Por que tudo isso? Não tenho a menor paciência com séries, exceto algumas muito antigas. Só vejo e revejo, sem cessar, Law and Ordere, A Unoidade de Crimes Especiais, para vítimas de crimes sexuais. O assunto me interessa, dramaturgicamente. Histórias de abusos, estupros, violência, que, com frequência, envolvem dramas familiares, tráfico, etc. Como os episódios de Law and Order estão sempre passando, não é raro que entre pela madrugada vendo. Neste domingo, cheguei em casa passado da meia-noite, depois do teatro e do jantar (no Sujinho). Fiquei vendo Law and Order até passado das duas. Mariska e Christopher Meloni. Uma das histórias envolvia mãe drogada. Seu bebê era jogado do carro em movimento por traficantes. Pode ser bobagem minha, mas imediatamente fiz a ligação com a história da própria Mariska, jogada daquele outro carro. Ninguém pode ser filha de Jayne Mansfield impunemente. A vida dessa mulher foi toda ela uma sequência de abusos dentro da indústria. Marisksa foi criada pelo pai e a outra, acho que terceira, mulher dele. Ela me passa a ideia de quem sabe o que é sofrimento, alguém que tem compaixão. Nossa – ‘minha’- Maria Madalena ganhou o Emmy e o Globo de Ouro. Eu a amo como a Olivia Benson de Law and Ordere. Ainda vou entrar por muitas madrugadas , só para vê-la na abordagem desses casos que investigam a miséria humana.

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