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Maria della Costa!

Luiz Carlos Merten

26 Janeiro 2015 | 12h20

TIRADENTES – Ter quase 70 às vezes pesa – na hora de subir escadas e ladeiras, por exemplo, e elas abundam aqui em Tiradentes, mas estou conseguindo aguentar.  O bom é que a idade me deu a possibilidade de ver coisas que fazem parte da história. Devia ter 11 ou 12 anos quando meu primo Milton Oliveira me arrastou para ver uma peça do Teatro São Pedro, em Porto Alegre. Foi minha primeira peça, Com a Pulga Atrás da Orelha, vaudeville de Feydeau com Maria della Costa. Vi depois, no mesmo São Pedro, outros Feydeau com a Cia. dos Sete, de Fernanda Montenegro. Maria della Costa! Era uma mulher que liberava uma sensualidade muito forte no palco, e dez anos depois ela foi a Marilyn de Depois da Queda, de Arthur Miller, na montagem de Flávio Rangel, que também vi. Foram minhas duas experiências com Maria della Costa no palco, e sou capaz de jurar que Depois da Queda foi no Teatro Leopoldina, que nem existe mais, em Porto. Marioa della Costa fez pouco cinema e pouca TV. Só a vi na tela mais tarde, ao chegar em São Paulo, em alguma retrospectiva do cinema paulista dos anos 1950, o cinema da Vera Cruz, da Maristela. Moral em Concordata, de Fernando Barros, adaptado da peça de Abílio Pereira de Almeida. O dramaturgo fez história como homem que criticava, de dentro, a sociedade quatrocentona de São Paulo. Moral em Concordata é seu olhar sobre as classes populares. Odete Lara foge do marido violento e vai pedir abrigo à irmã prostituta, mantida por um homem rico. Era Maria. Talvez ela não fosse tão bela quanto a jovem Tônia Carrero, que era um assombro, mas no palco e na tela era um animal. Indomável. Poderosa. Morreu velhinha, no sábado, aos 89 anos, e há tempos se fastara do showbizz.