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Maratona ‘Star Wars’

Luiz Carlos Merten

21 de abril de 2015 | 13h12

Ao procurar ontem por destaques nos filmes da TV, descobri na revista da Net que haveria hoje uma maratona Star Wars no Telecine Cult. Começou às 10 horas com Episódio 1, A Ameaça Fantasma, e deve apresentar na sequência os outros dois filmes da primeira trilogia – Ataque dos Clones e A Vingança dos Sith. Às 17 horas, começa a segunda, Star Wars/Guerra nas Estrelas, agora Episódio 4, que será seguido por O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi. E esse Episódio 7 que não chega… JJ Abrams, o que você vai fazer com a saga de George Lucas? No mesmo dia da sessão de Vingadores 2, houve, logo depois, um evento Star Wars, uma entrevista em escala planetária com JJ. Estava tão fissurado com A Era de Ultron que nem fui. Meu colega Pedro ia fazer a matéria para o portal do Estado, teria ido por curiosidade, não por necessidade. Também não li o texto dele, como não tenho lido os sucessivos textos que as revistas Empire e Total Film publicam sobre a produção mais aguardada dos últimos tempos. Mas será mesmo ‘a mais’? Recebi ontem um e-mail da Warner com o primeiro teaser de Batman x Superman. Zack Snyder! Aguardem 2016. E Star Wars Episódio 7? Também será 2016 ou 17? Enquanto escrevo, Ewan McGregor trava na TV o combate decisivo no desfecho de Episódio 1. O filme não é bom (mas é maravilhoso!). Uma sucessão de videoclipes, alguns melhores que outros. E daqui a pouco começa Ataque dos Clones. Resolvi escrever o post porque, no texto que fiz para o portal, terminei afirmando uma coisa sobre as duas trilogias. Dos seis primeiros filmes, apenas dois, os episódios 5 e 6, não foram assinados por George Lucas. O 5, Império Contra-Ataca, é de Irwin Kershner, e o 6, O Retorno de Jedi, de Richard Marquand. Meninos, eu vi. Teria de pesquisar para ver exatamente em que ano o agora Episódio 4 estreou no Brasil. O filme é de 1977, mas naquele tempo as estreias não eram simultâneas. Ocorre que Lucas também foi pioneiro na transformação de seus blockbusters em eventos mercadológicos mundiais e é bem provável que tenha estreado, sim, em 77. Se assim tiver sido, já tinha 32 anos. Havia saído da Folha da Manhã, estava no Esporte de Zero Hora, sem tribuna para escrever sobre cinema. Mas vi o filme no antigo cine Imperial, em Porto Alegre, que lançava a produção da Fox, e me lembro de haver escrito um texto para mim. Até hoje discute-se qual o filme, ou a sequência mais influente do cinema? Eric Hobsbaum sustentava que é a sequência da escadaria de Odessa em O Encouraçado Potemkin, de Sergei M. Eisenstein. Eu escrevi um livro, Entre a Realidade e o Artifício, defendendo que a cena mais influente é o assassinato de Marion Crane no chuveiro em Psicose, de Alfred Hitchcock. Em 1977/78, ninguém tinha distanciamento para avaliar o que seria o impacto de Star Wars na produção de Hollywood. Hoje, pode-se dizer que talvez seja o filme mais influente de todos os tempos, embora seja discutível – Danny Peary já disse isso em seu Guide for the Film Fanatic – garantir que esse impacto ou essa influência tenham sido 100% positivos. Na trilha aberta por Lucas veio uma overdose de efeitos, de bonecos, de aventuras espaciais (guerras intergalácticas?). O cinema, os críticos não se cansam de dizer, infantilizou-se. Predominam os super-heróis. A Marvel, a DC Comics dão as cartas no cinemão. Mas a verdade é que hoje, essa nova geração de ‘autores’ espetaculares – Christopher Nolan, Zack Snyder, JJ Abrams, Joss Whedon – está retomando a dianteira e os filmes são sobre a fragilização dos super-heróis. A Era de Ultron é sobre isso. Isoladamente, cada super-herói não consegue dar conta nem da própria vida. Precisam superar diferenças e unir-se. No processo, ganha-se como se perde muita coisa. O que já dava para perceber, no lançamento de Star Wars, é que havia uma imensa multiplicidade e variedade nas fontes de influência de Lucas. Como estudante de cinema, ele teve acesso a muita informação. Somou tudo. Os velhos seriados de Flash Gordon e Buck Rogers, os super-heróis da Marvel, Leni Riefenstahl e Eisenstein,  O Mágico de Oz e Rastros de Ódio, Akira Kurosawa e A Fortaleza Escondida (C3PO e R2D2 saem de lá), pulp fiction, ficções científicas B dos anos 1950 etc. E tudo isso ele colocou a serviço de uma saga sobre a construção do herói, que se completou com O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi. Na época, Lucas anunciou que planejava uma saga em nove episódios e três trilogias. Começou pela trilogia intermediária porque, segundo ele, não havia tecnologia para a primeira. Pergunto-me se foi mesmo isso, ou se a decisão também não teve a ver com o fato de a primeira trilogia ser sobre a construção do vilão, sobre como Annakin Skywalker é corrompido pelo lado escuro da Força e vira… Darth Vader. Só dois ou três anos depois surgiu O Império Contra-Ataca, e Luke Skywalker, naquele planeta inóspito, descobria Yoda, que comunicava a existências da Força, e que era possível mover o mundo só com a imaginação. Sem começo nem fim, como é possível que O Império seja o melhor dos seis primeiros filmes? E veio Episódio 6. Como Orestes, Luke Skywalker enfrenta o próprio pai e ‘liberta’ Annakin/Darth Vader. Vira ‘o herói’, mas é outro mistério que Mark Hamill, o Luke, tenha sido ofuscado por seu parceiros de aventuras, Harrison Ford como Han Solo, e Carrie Fisher,  como a princesa Leia. Gosto demais de O Retorno, e reconheço o tema do amor e ódio que tanto atraía o diretor Richard Marquand, filho do ator Christian Marquand (o que teria sido amante de Marlon Brando) e que teve aquela morte prematura e absurda, morrendo, até onde sei, ao cair da cama no hospital. O que sei é que me martela a cabeça o que escrevi para o portal. Se os dois melhores filmes das primeiras trilogias não foram feitos por Lucas – os únicos -, isso significa que ele é um mau diretor? É um visionário, disso não tenho dúvida. Um Midas – ganhou mais dinheiro que qualquer outro produtor e diretor na história. Sua fortuna soma mais de US$ 5 bilhões (o ‘pobre’ Steven Spielberg tem só US$ 3,5 bilhões). Mas um grande diretor? Nããããoooooo. Possuj um imaginário poderoso e O Ataque dos Clones, que acaba de começar na TV, tem um visual muito elaborado. O fecho de A Vingança dos Sith é melhor ainda. A transformação de Annakin em montagem paralela com o nascimento de seus filhos talvez seja o melhor que ‘diretor’ Lucas já fez (salvo, talvez Loucuras de Verão, mas eu teria de rever American Graffiti). Vou parar com essas digressões/elocubrações, senão perco o Star Wars na TV.

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